O jabuti e o leopardo
Curiosamente, aquele jabuti andava depressa. Mas era
descuidado. Caminhando sobre as folhas caídas no chão
na floresta, não viu um buraco e ? ploft! ? foi parar lá no
fundo. Por sorte, seu casco o protegeu da queda e ele
não se machucou. Enquanto espanava a poeira do
corpo, suspeitou que aquele não era um buraco
qualquer, e tinha razão. Era uma armadilha feita por
caçadores.
O jabuti ficou desesperado. Suas patinhas curtas não
facilitavam a escalada e ele se deu conta de que estava mesmo preso no buraco. A noite caía, veio a escuridão e
com ela o medo de virar comida de caçador.
? E agora? Quem vai me ajudar? ? pensou alto o jabuti.
Tão alto que, mal terminou a frase e... ? ploft! ?, um
leopardo caiu no mesmo buraco.
Ainda meio tonto com a poeira levantada pelo felino na
queda, o jabuti passou suas curtas patinhas nos olhos e
viu que não estava sonhando. Era um leopardo mesmo,
dos grandes! Seu desespero agora era duplo: estava
preso no buraco e tinha a companhia de um leopardo
que poderia devorá-lo a qualquer momento.
? Pensa, pensa, pensa... ? repetia mentalmente o jabuti.
Que nervoso! Não lhe ocorria nada muito genial. Com o
leopardo olhando fixamente na sua direção, o jabuti
resolveu gritar, falar alto, irritado, com a raiva de quem
tem muita coragem, embora fosse puro medo por dentro.
? O que é isso? O que é isso? Como você, leopardo,
ousa invadir o meu território? Será que um jabuti não
pode ter um minuto de privacidade que logo um bicho
sem permissão invade a sua toca? O que você está
fazendo aqui sem pedir licença? ? berrava o jabuti,
disfarçando a tremedeira.
O leopardo parecia atordoado, não entendia direito o que
estava acontecendo. O jabuti percebeu que seu chilique
era convincente e continuou:
? Não vou admitir que leopardo nenhum venha aqui, na
minha casa, atrapalhar o meu descanso. Ponha-se daqui
para fora agora mesmo ? arriscou o jabuti, fazendo a
cara mais feia que tinha para um momento de terror.
Ao que tudo indica, leopardos não gostam de receber
ordens. Sem paciência, o felino agarrou o jabuti pelo
casco e o arremessou para fora do buraco.
Empoeirado, aliviado e feliz, o jabuti apertou o passo,
correu o mais depressa que pôde e foi para a sua
verdadeira toca na floresta.
Às vezes, a gente tira coragem de onde nem imagina.
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? Pensa, pensa, pensa... ? repetia mentalmente o jabuti.
Observe o emprego da vírgula entre as repetições da
palavra 'pensa' e identifique a alternativa que justifica corretamente o seu emprego