O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O amor é o silêncio que diz delicadezas
O amor, às vezes, se expressa mais no silêncio do que
nas palavras. Ela estava cansada da rotina dura, ele,
cansado de tentar animá-la com esperanças. A visita foi
breve: um chá com hortelã, xícaras antigas, e uma
conversa sobre os quase setenta anos de vida
compartilhada. Falou-se do tempo e, sobretudo, do amor
— esse que suspende o tempo e silencia o ego.
Enquanto ela relatava sobre sua saúde, ele apenas a
olhava, com olhos inteiros. O amor deles resistia à
doença, como se vencesse algo ainda mais profundo: o
egoísmo. Havia ternura em cada gesto. Quando
perguntei sobre o casamento, ele riu, disse que eu
gostava de ouvir aquela história de sempre — a de uma
ex-freira e um irmão de padre que escolheram viver o
amor.
Ela sorriu ao recordar o passado, ele beijou o sorriso
dela. Pediu a caixa de bilhetes de amor que ele ainda
escreve. Leu alguns, e ele chorou ao ouvir aquele que
falava do impossível que seria viver sem ela. Ela, não
chorou — apenas sorriu, grata por ter amado tanto e por
tanto tempo.
Ali estavam dois devotos do amor, que morreram para o individualismo e renasceram no outro. Ela sabia que
seguiria vivendo nele, mesmo se partisse. Ele tocou
piano no entardecer. Pensei nas décadas de amor, nas
xícaras, nos invernos partilhados. Não sei quanto tempo
ainda têm, mas sei: nada apagará um amor que
aprendeu a dizer delicadezas em silêncio.
Gabriel Chalita - Texto Adaptado
https://odia.ig.com.br/opiniao/2025/06/7075346-o-amor-e-o-silencio-que
-diz-delicadezas.html
Considerando as regras de regência e o uso do acento
indicativo de crase, assinale a alternativa que justifica
corretamente o emprego da crase na forma "à doença"
presente no trecho citado.