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AS REGRAS DA ATRAÇÃO
Pesquisa norte-americana relaciona os tropeços
de gramática como o segundo principal motivo para as
pessoas descartarem potenciais namorados.
Norte-americanos solteiros acabam de eleger os
tropeços de gramática como uma das principais razões
que arruinam um primeiro encontro ou o flerte com um
potencial parceiro.
Uma pesquisa realizada com 5.481 adultos com
mais de 21 anos foi conduzida pela empresa de marketing
on-line MarketTools, para definir as qualidades, atitudes e
expectativas que ilustram as mudanças culturais nas
relações de aproximação entre pessoas solteiras.
Encomendada pelo site Match.com, com sede em
Dallas, a sondagem buscou definir um quadro dos 100
milhões de norte-americanos solteiros, 1/3 da populag&o
segundo o Censo 2012, dos EUA.
O levantamento, divuigado pouco antes do
carnaval de 2013, mostrou que, ao julgar um parceiro em
potencial, tanto homens como mulheres colocam a
gramática no topo da lista de "requisitos obrigatórios” de
um relacionamento, com 55% da preferência, atras
apenas do estado geral dos dentes da pessoa (58%).
Além disso, 19% dos homens entrevistados se sentem
atraídos (ou repelem) mulheres com sotaque muito
acentuado.
Rejeição
Rigorosa, mas desenvolvida para fins comerciais,
a pesquisa não tem necessariamente validade cientifica.
Dá, no entanto, ideia da dimensão de um fenômeno que
pode ser mais comum do que se imagina. No Brasil, onde
não há pesquisa do gênero, o paulistano, Flávio Vianna,
de 41 anos, é expressão confessa do perfil apontado pela
pesquisa. Separado, reclama da grande quantidade de
mulheres por quem se interessa e, quando emenda uma
conversa, se decepciona com o linguajar trôpego.
- Há pouco tempo, conheci uma garota bonita,
com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi um
desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum tempo
o negócio batia como um tambor no meu ouvido - afirma
ele.
Entre as expressões que incomodam Flavio, “é
nois” e “para mim fazê" lideram.
- Realmente me incomoda, a ponto de eu sentir
vergonha, Vai que um amigo escuta? Ter um
relacionamento com alguém que não sabe falar direito é
um retrocesso.
Padrao
Cada um escolhe os critérios para aproximar-se
de quem o atrai. Mas muita gente pode considerar que a
falta de familiaridade com o padrão do idioma retrata
outros aspectos da personalidade e da inteligência de uma
pessoa, fato nunca comprovado pela ciência e raciocínio
que alimenta preconceitos.
A língua, no entanto, é fenômeno social. Uma
expressão ou palavra fora da convenção estabelecida por
um dado meio indica desprestígio, falta de preparo ou
cuidado. Dizer é criar uma linguagem social de si. E ela
que esta em jogo quando se tropeça no registro gramatical
pedido pela situação de comunicação - um risco se o
interlocutor for um superior hierárquico, um potencial
empregador, um leitor, cliente ou até parceiro conjugal.
O sentido é construido pela seleção e combinação
de palavras. E, ao selecionar, a pessoa dá mostras de seu
universo de referência, do lugar social de onde procede,
suas preferências ideológicas e até de seu gosto estético
e amoroso. Indica o tamanho do repertório que a
credencia a tornar-se interessante aos olhos de potenciais
conquistas amorosas.
- Ter desenvoltura com o idioma faz a pessoa
conversar melhor, namorar melhor, trabalhar melhor e ficar
bem em qualguer situação em que está inserido - disse à Língua o apresentador Marcelo Tas, do programa CQC
(TV Bandeirantes).
Quando falamos, temos a ilusão de achar que
comunicamos só um conteúdo intencional, mas ha outras
informações quando se fala.
O modo de dizer altera a coisa dita.
Flexibilidade é a prova dos nove
O erro de português grave e reiterado pode
incomodar e melar uma aproximação promissora entre
casais. Mas não está dado que alguém mantenha
relacionamento duradouro sendo inflexível no uso da
gramática formal. Se alguém aplica, de forma ortodoxa, a
gramática normativa numa conversa de bar, por exemplo,
pode virar o chato da mesa. Pode perder a namorada.
O problema é que a norma culta tem sido há muito
tempo considerada no Brasil um código de distinção
social, quando é elemento de comunicação vital a
constitução de nossa identidade e de nossos
relacionamentos. As distorções dessa visão podem tornar
irelevantes outros aspectos que constituem a linguagem
do namoro, como o humor e a capacidade de fazer
correlações surpreendentes de idéias.
O que torna a norma culta uma sombra do idioma é tomá-la como universal, quando na verdade não existe
um único padrão, mas cada situação de comunicação
pede um registro que lhe é adequado. A flexibilidade do
registro gramatical, adequado ao contexto de fala e
escrita, é um aprendizado desafiador não só para solteiros
conquistadores. Caso contrário, a pessoa se arrisca a
perder muito mais do que um futuro parceiro.
(Revista Lingua Portuguesa, Ano 8, no 89, 2013, p.16-17.
Texto adaptado.)
No fragmento “Há pouco tempo, conheci uma garota
bonita, com um corpo bonito, mas quando abriu a boca foi
um desastre. Tentei ignorar isso, mas depois de algum
tempo o negócio batia como um tambor no meu ouvido -
afirma ele.” (6°§), ao fazer uso do termo negócio, o autor
utilizou recurso de coesão textual de: