Desde que me lembro por gente, sempre gostei muito da escola. No Ensino Médio, como estudei em ETEC, precisei escolher um técnico. Das minhas opções a que mais calhava era Técnico em Saneamento. No fim do Ensino Médio, por pura pressão, acabei escolhendo Química Tecnológica na UNICAMP. Fui por impulso, orgulhosa por ‘não estar perdendo tempo’, direto do Ensino Médio pra faculdade, sem saber ao certo o que queria. Logo arrumei um emprego e estudava à noite. Foi quase um ano e meio assim. Nunca me senti apaixonada pela graduação, mas sempre colocava a culpa em trabalhar de dia, dormir pouco, morar longe... Até que resolvi largar o emprego para ver se melhorava. Mas eu estava tão confusa e exausta da vida a esse ponto, que percebi que não trabalhar mais não ajudou em nada na minha motivação, só piorou.
Eu empurrava meus dias com a barriga e uma certeza cresceu em mim, um sentimento, de que ali não era meu lugar. Em questão de uma semana tranquei meu curso, sem ideia do que queria fazer do meu futuro. Foi uma época de rompimento total com tudo, na parte afetiva, profissional e acadêmica. Estava perdida, mas sabia que no sentido certo.
Depois disso, fui deixando a vida me levar, entregando currículos, até que por uma coincidência, comecei como Jovem Aprendiz em um banco. Gostei da área, fui pesquisar cursos a respeito e me interessei muito por Economia. Comecei Ciências Econômicas numa faculdade pequena. A decisão não foi difícil de tomar em nenhum momento porque em algum lugar eu já sentia que a vida que eu tentei levar não era pra mim. Hoje, consegui um emprego fixo como efetiva no banco e estou muito feliz com isso. Agora sim, sinto que achei o meu lugar. Talvez não pra sempre, mas pelo menos por hora. Não me arrependo de ter feito nada na vida. Pra mim não foi perda de tempo. Consigo ver que misturei uma paixão, hobbie e a conexão com a natureza que sempre senti com a minha vocação profissional.
YARA SZLACHKA, BANCÁRIA,20 ANOS. Revista Ler & saber. Ano 2 – nº 28 (adaptado)
Assinale abaixo a única das alternativas em que as palavras em destaque, conforme seu uso no texto, pertencem a classes de palavras distintas.