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ENTENDA O QUE MUDA NO CORPO DOS ASTRONAUTAS QUE FICAM MUITO TEMPO NO ESPAÇO
Médicos da Nasa monitoram retorno de astronautas após nove meses em órbita, destacando alterações corporais desde o DNA até a altura durante missões espaciais
Os astronautas Barry Wilmore e Suni Williams estão retornando à Terra após quase nove meses no espaço e em breve vão precisar se readaptar à vida com a gravidade.
Até em seu DNA, os corpos dos astronautas podem sofrer alterações estranhas e às vezes significativas, principalmente durante um voo longo acima da Terra: eles começam a se alongar, frequentemente desenvolvendo uma “altura espacial” e, como os corpos humanos são compostos principalmente de líquidos, a redistribuição de fluidos também pode lhes dar “pernas de galinha” e “cabeça inchada”. Quando retornam, tudo isso começa a se reajustar.
Os médicos manterão tudo isso em mente enquanto os astronautas Barry Wilmore e Suni Williams retornam nesta terça-feira (18) após quase nove meses no espaço. Os médicos da Nasa conversaram com os dois pouco antes de iniciarem sua jornada de volta, e eles disseram que estão “muito bem” em termos de saúde, disse à CNN Joe Dervay, um dos cirurgiões de voo da Nasa.
Os cientistas ainda estão descobrindo os efeitos de longo prazo na saúde ao passar muito tempo no espaço, mas décadas de dados mostram que os astronautas sofrem mudanças físicas, mesmo após um breve período. A maioria dessas mudanças se reverterá pouco depois do retorno à Terra.
“Existe alguma variabilidade individual sobre a rapidez com que se recuperam, mas é bastante impressionante ver como eles viram a página e realmente se adaptam rapidamente”, disse Dervay. “Frequentemente, se você olhar para eles alguns dias depois, você realmente não tem ideia do que eles acabaram de fazer nos últimos meses.”
Sem a atração da Terra, os astronautas podem perder densidade óssea, e seus músculos começam a atrofiar. Eles podem perder controle motor, coordenação e equilíbrio no espaço, desenvolvendo um tipo de enjoo, mostram os estudos.
A falta de gravidade também pode afetar seus sistemas imunológico e cardiovascular, sua visão e seu próprio DNA.
A maioria dos efeitos parece ser de curta duração — apenas alguns problemas de saúde foram encontrados até agora com efeitos duradouros — e os astronautas podem esperar muitos exercícios de reabilitação na Terra para recuperar seus ossos e músculos.
Embora Wilmore e Williams não fossem inicialmente esperados para permanecer na Estação Espacial Internacional por tanto tempo – sua viagem inicial deveria durar apenas oito dias – os líderes da Nasa não acreditam que os dois terão problemas de saúde incomuns por causa disso.
“Não vemos necessidade de nenhuma precaução especial”, disse Dina Contella, gerente adjunta do Programa da Estação Espacial Internacional da Nasa, na sexta-feira (14). “Como qualquer astronauta que retorna, há um período de aclimatação, e isso variará por membro da tripulação”.
Sem gravidade para o corpo se movimentar contra e com o corpo exposto à radiação no espaço, a atrofia e a disfunção muscular podem acontecer até com o astronauta mais em forma. A Nasa descobriu que os corpos dos astronautas podem experimentar redução de um terço no tamanho das fibras musculares em menos de duas semanas.
Em um único mês no espaço, um astronauta também pode perder até 1,5% de sua massa óssea – aproximadamente tanto quanto uma mulher na pós-menopausa que não está em tratamento perde em cerca de um ano. Essa perda pode tornar as pessoas vulneráveis a fraturas e levar à osteoporose prematura, mas mais pesquisas são necessárias para saber se a perda óssea persiste muito tempo após o voo espacial.
Para ajudar a mitigar problemas ósseos e musculares, os astronautas seguem uma dieta especial e fazem cerca de 2 horas e meia de exercícios diariamente, em média. Eles podem usar uma esteira ou uma bicicleta ergométrica, mas também têm um Dispositivo Avançado de Exercício Resistivo especial que imita o levantamento de peso na Terra.
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/entenda-o-que-muda-no-corpo-dos-astronautas-que-ficam-muito-tempo-no-espaco/. Acesso em: 18. mar.2025.