Leia o texto publicado na editoria de Opinião no Portal A Crítica.com, em outubro de 2025.

“O TFFF e as questões à espera de respostas

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) exige, pelo menos dos pesquisadores e das organizações do movimento social vinculadas a essa temática, um estudo profundo. Como o fundo será utilizado, quem irá manejar as cordas, quais os riscos e as vantagens às florestas tropicais e aos demais seres vivos que nela habitam? São algumas das questões a serem respondidas à luz da ciência.
(...) Alguns estudiosos e líderes de organizações socioambientais veem o TFFF como meio de “monetização dos serviços ecossistêmicos das florestas tropicais”. Tratar-se-ia de uma armadilha que, na base, promove negócios econômico-financeiros sob o comando de governos mundiais a partir da floresta e não contempla as comunidades tradicionais e os povos indígenas que nelas habitam.
Estudar a proposta, apresentar as ameaças que a mesma contém e indicar mudanças na concepção do TFFF tornou-se necessidade de curto prazo. Responsabilidade e transparência na formulação de caminhos para assegurar a vida das florestas tropicais e todo o serviço que elas oferecem à humanidade é o grande desafio.
Até agora, as experiências foram na direção da destruição contínua das florestas como meio de fazer valer o desenvolvimento do mundo. O preço tem sido muito elevado, e o resultado demonstra aprofundamento da desigualdade, concentração da riqueza, aceleração do processo de destruição das florestas e do manancial ecológico por ela ofertado.
O modelo de desenvolvimento vigente não permitirá estabelecer outra forma de relação com as florestas e, sim, aumentar o valor dela no mercado mundial — daí a forte presença do componente bancário na concepção do fundo.
Não é para abandonar a proposta de posicionar as florestas tropicais como bens da humanidade e, por isso, devem ser protegidas, conservadas e preservadas, pois todos — os que a destroem e os que com ela estabelecem outras formas de convivência — delas necessitam.
É para olhar com atenção o TFFF e estabelecer debates com a sociedade.”

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