Leia o texto a seguir para responder à questão.
Um grande passo para a humanidade
Para os meninos de hoje, as viagens do ônibus espacial são rotina e dizem muito pouco, quando não passam desapercebidas, porque não têm mais emoção e se sucedem com frequência, como se fizessem eternamente parte do dia a dia humano.
Mas, quando eu era criança, a conquista do espaço implicava emoções fortes. De repente, Flash Gordon deixava de ser ficção para se materializar nos foguetes russos e americanos que subiam aos céus, levando primeiro cachorros, como a Laica, e depois homens, para dar a volta do planeta em órbitas fantásticas, onde aparecíamos aos seus olhos pintados de azuis.
(...)
De repente, ainda que seguindo os passos de um cronograma lógico e rigoroso, estávamos na Lua, com tudo de mítico e lúdico que esse voo tinha.
Num dia de julho, o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história; dali para a frente, a nova fronteira seria os confins do espaço.
O planeta parou para assistir, pela televisão, ao pouso do módulo lunar na superfície da Lua.
Meu Deus do céu, assistir pela televisão o homem andar na Lua!
Não bastava o feito fantástico, a capacidade intelectual e a coragem envolvidas; ainda por cima, nós, míseros mortais espalhados pela superfície do nosso planeta menor, tínhamos a chance de ver, ao vivo, pelas telas das televisões ligadas nos quatro cantos da Terra, a história ser feita, no momento em que a história era feita; na marca maravilhosa gravada para sempre — como um padrão real plantado no cosmos — da pegada da sola da bota de um homem na superfície da Lua.
MENDONÇA, Antonio Penteado. Um grande passo para a humanidade. Crônicas da Cidade. Disponível em <https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/>