Leia o texto a seguir.

Bola de meia, bola de gude
Marcelo Barreto

Gosto de ver futebol de criança. E não estou falando dos campeonatos, que atingem faixas etárias cada vez menores — outro dia, conheci um atleta do sub-7 de um grande time do Rio. É pelada mesmo, raiz. Pode ser na rua, na praia, com bola de plástico (no meu tempo se chamava Dente de Leite) ou chinelos no lugar das traves e aquela discussão sobre chutes altos: entrou, não entrou. Passo por uma e meu olhar é hipnotizado. Os melhores momentos são os primeiros, antes de cair na armadilha da racionalização e começar a procurar o craque ou ver como os times se organizam. Segundos — minutos, às vezes — dedicados ao prazer de acompanhar o fluxo dos movimentos, sempre na direção do ataque. (...)
Parar para ver pelada de criança explica de que lado estou. Até consigo entender que há beleza na arte de se defender. Mas odeio zero a zero (e acho errado dar um ponto a cada time quando ele acontece; como pontuar sem botar a bola na rede?). Sou desses: não precisa ser de placa, eu quero ver gol. Por mim, toda bola na mão dentro da área seria pênalti e impedimentos só seriam marcados em casos extremos.
(...) A bola não entra por acaso, diz o título de um livro. Ok, mas também não pode entrar só por mérito. Treinadores e jogadores costumam atribuir os gols que sofrem a dois fatores: falta de atenção ou erro de posicionamento. Pois vivam os desatentos e os mal posicionados! (...)
(http://infoglobo.pressreader.com/o-globo/20190512 acesso em 20.10.25)

A crônica de Marcelo Barreto, publicada em 2019 no jornal O Globo, constrói-se em torno da defesa de um ponto de vista.
Nesse sentido, assinale a opção em que melhor se interpreta, no contexto da crônica, a frase final que aparece no fragmento selecionado nesta questão: “Pois vivam os desatentos e os mal posicionados!”.