O Teatro Oficina, liderado por José Celso Martinez Corrêa (Zé Celso) desde sua fundação em 1958, é um dos mais importantes coletivos teatrais brasileiros. Influenciado pelo 'teatro da crueldade' de Antonin Artaud, pelo 'teatro épico' de Bertolt Brecht e pelos rituais populares brasileiros, o Oficina desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela atuação visceral, pela música ao vivo, pela provocação política e pela constante experimentação cênica. Espetáculos como 'O Rei da Vela' (1967), 'Roda Viva' (1968) e 'Os Sertões' (2002) são marcos dessa trajetória. Zé Celso afirmava: 'O teatro não é para dormir, é para acordar a nação!" Complemento conceitual (JORDÃO,2025): "É justamente porque a arte é uma forma de resistência — que opera desde um devir e uma ética da potência —, que ela não existe para dar respostas, para ser lida e compreendida, para ser uma transparência militante. Ao contrário, a arte existe para nos lembrar que somos potência e que nada nos define ou esgota." (JORDÃO,2025). Considerando a trajetória do Teatro Oficina e sua relação com as vanguardas teatrais, bem como o conceito de "arte como potência" de Fabrícia Jordão, avalie as assertivas e assinale a alternativa que melhor interpreta a contribuição e o legado deste coletivo para o teatro brasileiro:
I - O fragmento de Fabrícia Jordão sobre a arte como "de vir e ética da potência" que "não existe para dar respostas" ou para ser "transparência militante" dialoga diretamente com a poética do Oficina. Zé Celso sempre rejeitou o didatismo panfletário (a "transparência militante" que oferece respostas prontas), propondo em vez disso uma experiência teatral que "acorda a nação" pela provocação sensorial, pelo riso, pelo escândalo e pela abertura de questões, não pelo fechamento delas.
II - O Teatro Oficina, inspirado por Artaud (teatro da crueldade) e pelas culturas populares brasileiras, criou uma linguagem de atuação visceral e politicamente provocativa que resiste a modelos normativos de representação, alinhando-se ao conceito de "arte como potência" que não se reduz à transparência militante.
III - O espetáculo "O Rei da Vela" (1967) foi uma adaptação de um texto de Oswald de Andrade que buscava neutralizar o caráter antropofágico e revolucionário do modernismo, agradando plenamente ao contexto político brasileiro da época.
IV - Zé Celso e o Oficina foram profundamente influenciados por Antonin Artaud (teatro da crueldade, com sua ênfase no gesto, no som, na provocação sensorial e na quebra da representação realista) e por Bertolt Brecht (teatro épico, com sua dimensão política e de estranhamento), além de incorporarem sistematicamente elementos de rituais populares brasileiros (candomblé, folia de reis, bumba-meu-boi, etc.).
V - Apesar da revolução na dramaturgia, o Teatro Oficina sempre se manteve fiel ao modelo realista do século XIX, com palco italiano, quarta parede e atuação psicológica, sendo sua principal contribuição para o teatro brasileiro a preservação do repertório clássico europeu.