O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A distância
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Li que implantaram um troço no cérebro de um macaco e ele conseguiu mexer outro troço com o
pensamento. Um eletrodo acionado por neurônios, ou coisa parecida, permitiu ao macaco deslocar um
objeto a alguns metros de distância só com a sua vontade. De certa maneira, isso é o fim de um ciclo
que começou na primeira vez em que um hominídeo pensou na possibilidade de afetar algo distante
dele sem sair do lugar. Pode-se resumir o desenvolvimento da humanidade e da sua ciência no
cumprimento dessa vontade de não precisar ir lá. A penúltima fase do processo foi o controle remoto. A
última, lógica, fase será a da telepatia. Hoje o macaco, amanhã nós todos.
Sempre defendi a tese de que foi a preguiça que trouxe a civilização. O que foi a invenção da roda
senão o prenúncio da charrete e um triunfo do comodismo? Fomos a primeira espécie a criar um jeito
de não ir, mas ser levada. A razão do hominídeo para deflagrar o processo que resultou no controle
remoto foi prática, a de atingir uma presa sem se arriscar a ser mordido, ou almoçar sem ser
almoçado. O primeiro lance do longo processo que terminou com o implante no cérebro foi a pedra
arremessada. Depois vieram a lança, o estilingue, o arco e a flecha, a catapulta, as armas de fogo, o
foguete intercontinental, o drone — todos os engenhos para evitar chegar perto.
[*] distância sempre foi um inimigo natural do Homem, ou pelo menos do Homem Preguiçoso. Vencê-la
foi o nosso grande desafio intelectual, e agora se abre a possibilidade de subjugá-la só com o intelecto,
desprezando os instrumentos que, da pedra [*] internet, nos ajudaram até aqui. Estamos
simbolicamente de volta [*] savana primeva, pensando em como empurrar aquele mamute para dentro
do fosso sem precisar ir lá, mas agora o pensamento basta. A vontade se realizará sozinha, sem as
mãos, sem mais nada. A preguiça cumpriu sua missão histórica.
Agora, só precisamos encontrar um jeito de pedir ao macaco que mexa alguma coisa por nós.