A obra de Milton Santos representa um marco na renovação da Geografia ao propor uma leitura do espaço geográfico como instância indissociável das relações sociais, econômicas e políticas. Ao analisar a globalização a partir da periferia do sistema, o autor evidenciou que a difusão das técnicas e das redes de informação não elimina as desigualdades, mas as reorganiza em novas formas de integração seletiva. Nesse contexto, categorias como meio técnico-científicoinformacional e circuitos da economia urbana permitem compreender a coexistência de diferentes lógicas espaciais, articuladas de forma desigual no território.

MOREIRA, Ruy. Para onde vai o pensamento geográfico? São Paulo: Contexto, 2006. Adaptado.

Em grandes metrópoles contemporâneas, observa-se a implantação de infraestruturas altamente tecnificadas voltadas à circulação de capitais e informações em determinadas áreas, enquanto outras permanecem marcadas por precariedade urbana e baixa densidade técnica.

A análise dessa contradição, à luz da corrente teórica da Geografia Crítica, demonstra que o espaço geográfico contemporâneo