A formação do sistema rodoviário brasileiro participou do
processo de artificialização desigual do território e criou parcela
importante das condições necessárias a uma vida de relações
mais complexa e abrangente em atendimento a finalidades
precisas do Estado e das grandes empresas. Isso foi possível
graças à indissociabilidade entre a circulação, a produção e o
consumo e as bases materiais do território. A formação e o
aperfeiçoamento do sistema rodoviário brasileiro constituíram
uma rede desigual tanto em extensão quanto em densidade e
qualidade. Essa rede possibilitou a expansão e a interiorização da
ocupação de nosso território e as ligações necessárias para a
formação de um mercado unificado. Imprimiu a materialidade de
um tempo múltiplo e desigual verificado na disposição dos
sistemas de engenharia e na força que o Estado, os homens e as
firmas possuem para utilizá-los.
Marcos Xavier. Os sistemas de engenharia e a tecnicização do território.
O exemplo da rede rodoviária brasileira. In: Milton Santos e Maria Laura Silveira.
O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro,
São Paulo: Editora Record, 2006, p. 340 (com adaptações).
Julgue o item subsequente, relativo às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.
De acordo com as ideias veiculadas no texto, a formação do
sistema rodoviário brasileiro foi parte do processo de
modificação desigual do território para adaptá-lo aos usos
humanos.