INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I
Cuidado: chatbots
Ruy Castro
Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um
perigo! Se conversar com um deles, não diga nada
que possa te comprometer! Não faça confidências,
não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele
diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era
um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca
lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —,
apenas escutei e concordei enfaticamente.
Pela terminação do nome em bot, como em “robot”,
intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala.
Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie
de “Planeta Proibido” (1956) ou o C?3PO de “Guerra nas
Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós
da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot
— um programa de computador, baseado em inteligência
artificial, que simula conversas com falantes em qualquer
língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar
tapeá?lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá
no apatopó.
Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas
estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por
uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se
passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá
todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos
confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de
decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.
Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news
capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o
“denunciará” como um farsante, com o que se tornará
digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda
mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez
uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso?
Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o
mundo, curvando?o a um controle planetário.
Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu
fio da tomada da parede.
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,
11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).