Leia o texto para responder à questão.
Papel civilizatório do ensino integral
Não existe bala de prata para resolver os problemas da
educação ? e os resultados, em geral, demoram a aparecer.
Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as
escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de
ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada
em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à
implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste
que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.
Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades
de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo
integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas
nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga
luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou
a organização curricular das escolas: além das tradicionais
aulas de formação básica, como Português, Matemática e
Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40%
da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para
as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o
vestibular ? e isso, claro, gera críticas.
Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar ? acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola
que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos
conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao
romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta
de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha,
a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado
inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas
para a formação básica dos estudantes.
O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo
integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a
importância estratégica da medida, o País condena a imensa
maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No
caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos
jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano
passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda
mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta
da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse
modelo anacrônico de um único turno de aulas?
Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige
mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é
não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino
em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio
que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel
civilizatório.
(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)
Kleiman (1993) observa que “os elementos que relacionam as diversas partes do texto são também instrumentais na construção de significado global para o texto.”
Com base nesse entendimento, é correto que há reforço
no posicionamento defendido pelo jornal com o emprego
da expressão destacada em: