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Texto 2
No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de
nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite.
Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram
de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar
exclamava:
— Ai! Que preguiça!...
E não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e
principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força do homem. O divertimento dele
era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha
os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar
vintém. E também espertava quando a família ia tomar
banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaiamuns diz-que habitando a águadoce por lá. No mocambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão
nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia
na cara. Porém respeitava os velhos, e frequentava com
aplicação a murua a poracê o torê o bacororô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo.
ANDRADE, Mário de. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. São Paulo: Ubu Editora,
2017, p. 13.
O advérbio “porém”, na última oração, rompe com a
progressão textual porque Macunaíma vinha sendo
descrito como um sujeito que