MORRE RICHARD WAGNER
Nascido no dia 22 de maio de 1813, em Leipzig,
Wilhelm Richard Wagner foi uma das figuras
mais representativas do Romantismo alemão.
Exemplo
de artista multifacetado, foi
compositor, diretor de orquestra, poeta, ensaísta,
dramaturgo e teórico musical. Em sua produção
destacam-se as óperas, que ele denominou
“dramas musicais”, para as quais assumiu,
também, o livreto e a cenografia.
Para Wagner, ao contrário da ópera italiana, a
música era o meio de chegar ao drama. Alcançou
o sucesso como compositor com as óperas “Der
fliegende Holländer” (O holandês voador, 1841)
e “Tannhäuser (1844), que seguiam a tradição
romântica de Weber e Meyerbeer. Em uma série
de ensaios entre 1849 e 1852, desenvolveu sua
ideia da “obra de arte total”, isto é, uma obra que
sintetizasse todas as artes poéticas, visuais,
musicais e cênicas, formando uma unidade
dramática. Com ela, transformou o pensamento
musical da época. Wagner plasmou sua teoria na
primeira metade da sua monumental tetralogia
“O anel do Nibelungo” (1848-1874).
Com o tempo, suas ideias sobre a relação entre a
música e o teatro evoluíram, levando-o a
reintroduzir
algumas formas operísticas
tradicionais nas obras da sua última etapa, como
em “Os mestres cantores de Nuremberg” (1867).
As obras de Wagner, particularmente as de seu
último período plenamente romântico, se
destacam por sua textura contrapontística,
riqueza cromática, harmonia, orquestração e um
elaborado uso dos “leitmotivs” – temas musicais
associados a caracteres específicos ou elementos
dentro da trama –, dos quais foi o criador. Seu
uso é especialmente notável em Lohengrin
(1847). Wagner foi pioneiro em vários avanços
da linguagem musical e teve clara influência no
desenvolvimento da música clássica europeia.
Sua ópera “Tristão e Isolda” (1859) foi
considerada o ponto de partida da música
contemporânea.
A influência de Wagner se estendeu à filosofia, à
literatura, às artes visuais e ao teatro. Sob a
proteção do rei Luis II da Baviera, construiu seu
próprio
teatro
de ópera, o Bayreuth
Festspielhaus, para encenar suas obras como ele
as concebia, caracterizadas por suas percepções inovadoras. Ali, estrearam “Parsifal” (1877 - 1882) e a tetralogia do “Anel”. Atualmente, suas
obras mais importantes continuam a ser
representadas ali, em um festival anual. Escreveu
muito sobre música, teatro e política – obras às
vezes controversas, especialmente as que
destilam conteúdo antissemita.
Wagner conquistou grande reconhecimento
musical, apesar da sua personalidade veemente,
de suas opiniões frequentemente provocadoras
sobre música, política e sociedade, e de suas
vivências turbulentas. Morreu em Veneza, no dia
13 de fevereiro de 1883, deixando uma profunda
marca no desenvolvimento artístico da nossa
época. (365 Dias que mudaram o mundo. São
Paulo: Planeta, 2014, p. 98).