Ou agimos agora ou será tarde demais
O clima não espera: cientistas do IPCC alertam que
combater
o aquecimento global exige mudanças sem
precedentes,
mas ainda é possível se não perdermos
tempo;
e nossas florestas são motivo para ter esperança
por Rodrigo Gerhardt
O time mais robusto de cientistas do mundo, o Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em
inglês), divulgou nesta segunda-feira, na Coreia do Sul, um
novo relatório sobre o caminho para limitar o aquecimento
global a 1.5 grau e assim cumprir o histórico Acordo de Paris.
É uma tarefa que envolve escolhas difíceis e urgentes, e só
poderá ser alcançada se não perdermos mais tempo. Para líderes
politicos e corporativos, a mensagem é clara: “Ajam agora!”.
Atualmente, já enfrentamos 1 grau Celsius de
aquecimento. Para os cientistas da ONU, que revisaram mais de
6 mil estudos, estamos muito próximos de atingir 1.5º C e até
mesmo chegar a 2º C de aquecimento já na primeira metade do
século, ou seja, logo daqui trinta anos. Este é o nível mínimo
seguro para a forma como vivemos no planeta. A única solução
possível, diz o relatório, é reduzir pela metade até 2030 a
emissão de gases que esquentam o planeta, para então zerá-las
em 2050, além de absorver parte do carbono que já está na
atmosfera. Neste caminho não bastam só novas tecnologias e
energia limpa – as florestas também terão papel fundamental.
“No cenário traçado pelo IPCC, o futuro da humanidade
depende não apenas de eliminarmos os combustíveis fósseis,
como carvão e petróleo, e zerar o desmatamento em escala
mundial para reduzir as emissões, mas também proteger
florestas, savanas e outras formas de vegetação natural para
capturar o excesso de CO2 que já está na atmosfera e o que
ainda será emitido na fase de transição para uma economia
neutra em carbono”, diz o estrategista internacional de Florestas
do Greenpeace, Paulo Adário.
Para ele, a melhor e mais aceitável forma de fazer isso é
adotar um ambicioso programa de restauração das florestas
degradadas em escala global. “Afinal, as árvores são ‘usinas’
naturais de captação de carbono desenvolvidas e testadas há
milhões de anos”, afirma.
No Brasil, líderes políticos e empresariais têm o dever
de ampliar os compromissos já assumidos com a comunidade
global e adotar as medidas necessárias para nos proteger dos
impactos que já estão sendo sentidos, como secas severas
prolongadas e tempestades com força recorde. “Além de
acelerar a transição para uma matriz energética 100% limpa e
renovável, o país tem o desafio de revolucionar o setor
agropecuário – que responde por cerca de 70% das emissões
brasileiras, incluído ao ‘pum’ dos rebanhos, o uso de
fertilizantes e o desmatamento de novas áreas – e trazê-lo para
um patamar sustentável”, afirma.
Disponível em https://www.greenpeace.org/brasil/blog/ou-agimos-agora-ou-sera-tarde-demais/?gclid=EAIaIQobChMI3tOxh57c6AIVRwmRCh00vQZTEAAYASAAEgI
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