Texto 1
O Sol na obra de Van Gogh
Nenhum outro pintor captou e soube transmitir a luz e
a energia do Sol como Vincent van Gogh (1863-1890).
Cansado e desgostoso de Paris, Van Gogh passou os
dois últimos anos de sua vida no sul da França, que os
franceses chamam de Midi. Ele queria pintar ao ar livre,
em um contexto mais luminoso. Em uma carta ao seu
irmão Theo, em 1888, ele escreveu: "Vim ao Midi por
muitas razões. Por querer ver outra luz, crer que a contemplação
da natureza sob um céu mais claro pode me
dar um ideia mais exata da maneira de sentir e desenhar
dos japoneses. Querer, enfim, ver este sol mais intenso,
porque pressinto que, sem conhecê-lo, não é possível
compreender desde o ponto de vista da realização e da
técnica, as obras de Delacroix, e porque me intuiu que as
cores do prisma se velam com as brumas do norte".
Após uma violenta discussão com seu amigo pintor
Paul Gauguin (1848-1903), e que teve como consequência
a famosa mutilação de parte da orelha, Van
Gogh foi internado no sanatório de Saint-Rémy. Lá, o
Sol continuava presente em suas criações.
Em seus últimos meses de vida, e durante uma das
várias internações de Van Gogh no sanatório de SaintRémy,
ele descobriu na França meridional uma fonte
de inspiração inesgotável: as oliveiras. Com elas compartilhou
os últimos dias de sua vida turbulenta. Talvez
uma destas obras mais significativas que tenha pintado
foi Oliveiras com céu amarelo e Sol. Recentemente,
esta obra foi uma das escolhidas em um projeto para
sofrer um corte virtual de suas árvores como forma
criativa de chamar a atenção para o desmatamento.
Van Gogh era fascinado pelos astros. Sol, Lua, estrelas.
Procurava a luz à sua volta. Talvez para iluminar o seu
interior sombrio. Ele precisava de todas as luzes da
natureza para fazer germinar a natureza da sua Arte.
BELTRÃO, C. Disponível em: Acesso em 12/11/2017.
[Adaptado]
Texto 2
Um gafanhoto esteve incrustado mais de um
século em um Van Gogh
Os restos de um gafanhoto com mais de um século
foram encontrados na espessa pintura As Oliveiras, de
Vincent van Gogh (parte de uma série de 18 pinturas
que o artista fez sobre o tema em 1889). Uma restauradora
do Museu de Arte Nelson-Atkins, na cidade de
Kansas, nos Estados Unidos, onde a obra está exposta,
descobriu o inseto enquanto trabalhava numa pesquisa
sobre a tela. Segundo um comunicado dessa
pinacoteca, o achado é apenas um dos resultados
emocionantes que surgiram quando o estudo científico e a investigação histórica da arte se combinaram
no museu para compreender melhor o processo do
artista holandês.
"As Oliveiras é uma pintura muito querida no NelsonAtkins
e esse estudo científico não faz mais do que
aumentar nossa compreensão de sua riqueza', afirmou
o diretor do museu, Julián Zugazagoitia. "Van Gogh
trabalhou ao ar livre, e sabemos que ele, como outros
artistas plein air, lidou com o vento e o pó, a grama e
as árvores, e as moscas e os gafanhotos."
A equipe de pesquisadores entrou em contato com
o paleoentomologista Michael S. Engel, professor da
Universidade de Kansas, para seu estudo posterior.
Engel observou que faltavam o tórax e o abdômen
do gafanhoto e que não se via nenhum sinal de movimento
na pintura circundante. Isso indica que o inseto
estava morto antes de aterrissar na tela de Van Gogh.
O gafanhoto não pode servir para uma datação mais
precisa da pintura.
Disponível em:<https://brasil.elpais.com/brasil/2017/11/08/cultura/1510154425_196558.html> Acesso em 12/11/2017.
[Adaptado.]