TEXTO PARA A QUESTÃO.
Estava aqui pensando
Às vezes tenho a impressão de que o que nos falta é a
capacidade de realizarmos uma espécie de autoanálise. Pensarse. Somos uma sociedade paradoxal, afinal, ao mesmo tempo
que não paramos de pensar, não nos pensamos. Pensar-se é ir
a um encontro às cegas consigo mesmo. A gente sempre acha
que se conhece e logo descobre que isso não é tão simples
assim. Fazemos coisas estranhas. Estranhamos atitudes que
temos. Ficamos impressionados como respondemos a
determinadas situações, completamente ao contrário do que
pensamos que faríamos. Pensar-se é um ótimo exercício de
humildade, pois descobrimos que não somos donos dos nossos
pensamentos, atitudes, afetos ou alma.
Ter um pouco de sinceridade interior, uma certa coragem
moral e habituar-se a questionar-se nos ajuda a chegar perto
deste sujeito esquisito que somos. É claro que fazer isso nos
coloca diante do fato que, tomara, possamos sentir vergonha
de algumas das nossas atitudes. Acho tão lindo quando
descobrimos que não somos estas pessoas iluminadas que
imaginamos ser. Temos uma tendência a repudiar nossas
partes feias, desbocadas e julgadoras, tão essenciais de todos
nós. Envergonhar-se de si é uma forma de buscarmos mudança.
Sem reconhecer nossas falhas, não nos esforçaremos para
fazer diferente. E mesmo assim, é preciso aprender que apesar
de nossos esforços, muitas e muitas vezes, iremos fracassar e
ter de começar tudo de novo outra vez. Porque não somos
assim tão incríveis quanto achamos que somos.
Escrevo isso e me lembro de alguns versos do poeta Mario
Quintana, “esse estranho que mora no espelho (e é tão mais
velho do que eu) olha-me de um jeito, de quem procura
adivinhar quem sou”. Tão difícil de responder isso. A
autoanálise é uma conversa consigo mesmo, com o
compromisso de que não seja um simples bate-papo, mas com
o intuito de descobrir em si o desconhecido. E sim, em nossos
diálogos internos, por vezes, somos mais sinceros do que nas
conversas com os outros. Digo isso, porque volta e meia me
pego falando sozinha, assim como você que me lê. Apesar de
parecer uma conversa unilateral é entre eu e mim. E, antes que
alguém ache estranho, aposto que você tem um grupo no
WhatsApp de você com você mesmo.
Conversar consigo, pensar-se e refletir sobre quem se é e
o que se tem feito é nos responsabilizarmos pelas nossas
atitudes. Quando nós pensamos, nos deparamos com partes
nossas que são impulsivas, horrendas, _________, infantis,
maldosas, ciumentas e insuportáveis. É verdade que mergulhar
no mais profundo de nós traz _____ tona monstros, mas
também revela uma capacidade humana de tentar ser melhor
da próxima vez.
Autora: Adriana Antunes - GZH (adaptado).
No trecho “Escrevo isso e me lembro de alguns versos”, a
colocação do pronome oblíquo átono me, em relação ao verbo
“lembro”, classifica-se como: