Fonoaudiologia está entre as profissões
menos suscetíveis à substituição por IA
Em meio ao avanço acelerado da inteligência
artificial em diferentes áreas da saúde, um levantamento
da ISE Business School chama a atenção para um ponto
fora da curva: a fonoaudiologia figura entre as profissões
menos suscetíveis à substituição por IA. O motivo vai além
da técnica e passa, sobretudo, pela natureza humana do
cuidado envolvido no desenvolvimento da comunicação ao
longo da vida.
Para a fonoaudióloga Christiane Nicodemo,
a explicação está na própria origem da linguagem. “A
comunicação humana não nasce do digital. Ela se constrói
a partir do vínculo, do toque e da escuta. É um processo
analógico, relacional e afetivo – algo que nenhuma
tecnologia consegue reproduzir integralmente”, afirma.
Esse conjunto de estímulos – sensoriais, motores,
emocionais e afetivos – forma a base da cognição e da
linguagem. “É nesse cuidado inicial em que se estrutura
o hardware humano da comunicação. O digital pode
funcionar como um software complementar, mas nunca
substituir essa base relacional”, destaca Christiane.
Apesar disso, a fonoaudióloga reforça que a IA tem
papel importante quando bem aplicada. “Hoje contamos
com dispositivos cada vez mais sofisticados para a avaliação
auditiva, reabilitação, estímulos cognitivos e terapias
assistidas. A tecnologia amplia possibilidades, favorece a
neuroplasticidade e pode acelerar resultados”, afirma.
O ponto central, segundo ela, está no
discernimento. “A IA não substitui o fonoaudiólogo. Ela
complementa o cuidado quando utilizada no momento
adequado, com indicação correta e interpretação clínica
qualificada. Para isso, é indispensável um profissional
atualizado, capaz de integrar a tecnologia sem perder a
dimensão humana do atendimento.”.
Para a especialista, confiar exclusivamente em
soluções tecnológicas pode gerar lacunas importantes.
“Quando o cuidado com comunicação, voz e audição não
é conduzido por um fonoaudiólogo, perdem?se a escuta
sensível, a adaptação às necessidades individuais e a
compreensão do contexto emocional e social do paciente.”.
Em um mundo cada vez mais mediado por telas,
automações e respostas rápidas, esse aspecto tende a
se tornar ainda mais relevante. “O cuidar exige tempo,
gentileza, presença e vínculo. A tecnologia pode apoiar,
mas não substituir essa relação. Por isso, a fonoaudiologia
segue essencial e insubstituível.”.
Internet:<hospitalpaulista.com.br> (com adaptações).