TEXTO PARA A QUESTÃO.
A calmaria antes da tempestade
Acho que uma das metáforas da sabedoria popular que mais
se enraizou na nossa cultura é a da “calmaria antes da
tempestade”. Segundo cientistas e meteorologistas, a expressão
tem sim um fundo de verdade por diversos fatores. Por exemplo,
na aproximação de frentes frias mais intensas, a pressão
atmosférica começa a cair, o ar fica mais quente e abafado e assim
o vento pode diminuir temporariamente, como se fizesse uma
pausa. Isso se deve ao fato de existir uma espécie de zona de
transição entre massas de ar, com gradiente de pressão
relativamente pequeno e energia acumulada na atmosfera.
Conversando com alguns conhecidos que trabalham em
indústrias de médio e de grande porte, uma das frases que mais
ouvi desde dezembro é a seguinte: “Tá tudo parado”. Poucos
pedidos, poucas entregas, férias coletivas, férias antecipadas. O
olhar preocupado deles denuncia aquela apreensão de quem sabe
que a pouca movimentação, o silêncio, a “calmaria” – ainda mais
em ano eleitoral – é motivo de apreensão, não de tranquilidade.
Sem dúvida estamos presos numa zona de transição em que
o Brasil, como nação, vai ter que decidir que rumo irá tomar.
Vamos analisar um único exemplo que no mínimo gera alguns
questionamentos pertinentes. Dados fundamentais para
compreender o desempenho da economia brasileira, como o
Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de desemprego, a inflação por
meio do IPCA, além de indicadores sobre produção industrial,
comércio e serviços funcionam como um termômetro da atividade
econômica, permitindo identificar se o país está em crescimento,
estagnado ou enfrentando uma crise.
O problema é que não dá para entender como pode o
desemprego ser tão baixo se 50 milhões de brasileiros ainda
precisam viver de Bolsa Família? Como a economia pode estar
“bem” se o número de inadimplentes e de famílias endividadas
chega a 70% da população? Parece que teremos em breve o
choque violento de duas “frentes”: um Brasil desejado e um Brasil
real. Essa calmaria angustiante é só o prenúncio de algo
devastador. Talvez não seja apenas por causa da apreensão
natural em ano eleitoral, talvez seja a espera de um futuro
próspero que parece nunca se concretizar. E nada é pior do que
ter pouca ou nenhuma esperança de que estaremos seguros e
abrigados quando a tempestade chegar.
Autora: Candice Soldatelli- GZH (adaptado).