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Texto 3
Durante muito tempo, o acadêmico Domício Proença foi o único
negro na Academia Brasileira de Letras. E durante muito mais
tempo ainda, a negritude de Machado de Assis lhe foi negada.
Sobre Machado, em uma carta para o amigo José Veríssimo,
que havia chamado Machado de mulato, após sua morte, disse
o abolicionista Joaquim Nabuco: “Eu não o teria chamado
mulato. E penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese.
Rogo que tire isso quando reduzir o artigo a páginas
permanentes. A palavra não é literária e é pejorativa. O
Machado para mim era branco, e creio que por tal se tomava:
quando houvesse sangue estranho, isso em nada afetava a sua
perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só vi nele o
grego”.
Ou seja, para ser portador da intelectualidade que o
caracterizava, Machado de Assis teria, aos olhos de Joaquim
Nabuco, que abrir mão de sua negritude, teria que abrir mão do
seu defeito de cor. E cá estou eu, hoje, 128 anos depois de sua
fundação, como a primeira escritora negra eleita para a
Academia de Letras, falando pretoguês e escrevendo a partir de
noções de oralitura e escrevivência. E assumo para mim, como
uma das missões, promover a diversidade nessa casa e fazer
avançar as coisas nas quais nela eu sempre critiquei, como a
falta de diversidade na composição de seus membros, uma
abertura maior para o público, verdadeiro dono da língua que
aqui cultivamos, e um maior empenho na divulgação e na
promoção da literatura brasileira. E isso, podendo ser quem eu
sou.
GONÇALVES, Ana Maria. Discurso de posse. Disponível em:
https://www.academia.org.br/academicos/ana-maria-goncalves/discurso-de-
posse. Acesso em: 20 jan. 2026. [Adaptado].
Na construção sintática do discurso, a autora recorre a
orações subordinadas para estabelecer relações entre
termos do período. No segmento “verdadeiro dono da língua
que aqui cultivamos”, como se classifica a oração “que aqui
cultivamos”?