Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem é desafio
para famílias
O Transtorno do Desenvolvimento da
Linguagem (TDL) é uma condição que interfere no
neurodesenvolvimento e afeta diretamente a capacidade
de comunicação, gerando dificuldades na fala,
compreensão, interação social e aprendizagem escolar.
Os impactos podem ser semelhantes aos observados no
autismo, mas a prevalência é maior. Segundo a médica
otorrinolaringologista e foniatra Fernanda Correia Bahia,
enquanto o Transtorno do Espectro Autista acomete 1%
da população, o TDL atinge 7,5%. A falta de conhecimento
sobre o transtorno tem levado a erros de diagnóstico e
atrasos na intervenção adequada.
De acordo com a especialista, são fundamentais
o diagnóstico e o tratamento conduzidos por médicos
foniatras e fonoaudiólogos. Com intervenções adequadas,
há uma melhora significativa na comunicação.
A fonoaudióloga Ecila Paula Mesquita, do
Movimento Passo a Passo pelo TDL, afirmou que o
transtorno já configura um problema de saúde pública. “O
Reino Unido tem muitas pesquisas sobre TDL que mostram
alto índice de uso de drogas, depressão e tentativas de
suicídio entre adolescentes com o transtorno. Por que não
temos estudos no Brasil? Porque o TDL nem é reconhecido”,
afirmou a profissional.
A médica Fernanda Correia Bahia explicou que
crianças com TDL têm 12 vezes mais chance de desenvolver
transtornos de aprendizagem. Ela lembrou que, em
1980, a condição era chamada de Distúrbio Específico de
Linguagem e que, a partir de 2016, passou a ser denominada
Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, a partir de
um estudo britânico.
Entre os sinais de alerta, estão: pouco ou nenhum
balbucio até os oito meses; ausência de combinação
de duas palavras aos 24 meses; linguagem não verbal
deficiente; histórico familiar de problemas de alfabetização;
dificuldade em compreender comandos simples entre
três e quatro anos; e frases curtas e interação social
precária entre quatro e cinco anos. Após os cinco anos,
costumam ocorrer problemas para contar ou recontar
histórias, dificuldades de leitura, vocabulário pobre e pouca
compreensão de metáforas.
A fonoaudióloga Laura Nequini, da Secretaria
Municipal de Saúde, reforçou que atrasos na aquisição e no
desenvolvimento da linguagem têm sido frequentemente
classificados como TEA. “Trazer essa temática à tona é de
grande importância. Temos muito a avançar nesse campo”,
concluiu.
Internet:<cmbh.mg.gov.br> (com adaptações).