Texto CG1A1
Onde não houver alimento, não haverá paz. Essa
afirmação, simples e poderosa, carrega uma sabedoria ancestral:
a
agricultura sustenta vidas, estrutura territórios, garante
estabilidade política, social e econômica e molda o destino das
nações. Quando a produção agrícola prospera, comunidades
florescem, mercados se fortalecem e sociedades avançam.
Quando falha, a fome se instala, conflitos emergem e as
estruturas sociais se fragilizam.
Em um mundo marcado por transformações aceleradas —
crises
climáticas,
pressões energéticas e desigualdades
persistentes —, a agricultura permanece no centro do debate
global não apenas por alimentar bilhões de pessoas, mas por
conectar, de forma indissociável, o que produzimos e
consumimos, a energia que utilizamos e as condições climáticas
que moldam nosso cotidiano.
Garantir segurança alimentar para uma população que
ultrapassará 9,7 bilhões de pessoas até 2050 exige produzir mais
e melhor, de forma sustentável, resiliente e inclusiva. Acelerar a
transição energética tornou-se imperativo diante da necessidade
de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar
emissões. Enfrentar as mudanças climáticas requer ações
integradas de adaptação e mitigação, capazes de proteger
sistemas
produtivos
e
ecossistemas
naturais.
Reduzir
desigualdades sociais implica democratizar o acesso a
oportunidades, tecnologias e mercados — sobretudo no meio
rural, onde milhões de agricultores familiares e comunidades
tradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais.
Esses desafios não podem ser tratados isoladamente.
Segurança alimentar, transição energética, ação climática e
justiça social são agendas interdependentes: nenhuma avança sem
as demais. Sistemas alimentares resilientes são essenciais para
mitigar emissões; energia limpa é indispensável para sustentar a
produção agrícola; inclusão social é condição para o progresso
das pessoas e ampliação da adoção de tecnologias e práticas
sustentáveis. Quando articuladas, essas agendas convertem
avanços setoriais em ganhos sistêmicos e fortalecem a resiliência
global.
Nesse contexto de interdependências, os trópicos ocupam
posição estratégica. O cinturão tropical, que abrange as
Américas, a África e a Ásia, concentra cerca de 40% das terras
aráveis e 52% da água doce do planeta, distribuídas em regiões
de cerrados, savanas e florestas tropicais, uma heterogeneidade
que reflete a variedade de condições ecológicas e desafios
produtivos dessa faixa do planeta.
A riqueza natural confere aos países tropicais um
potencial
produtivo extraordinário, capaz de alimentar
populações locais e contribuir decisivamente para a segurança
alimentar global. Ao mesmo tempo, essas mesmas regiões
enfrentam elevada vulnerabilidade climática. Secas prolongadas,
chuvas irregulares, ondas de calor, enchentes e a intensificação
de pragas e doenças ameaçam safras, reduzem produtividade e
ampliam a insegurança alimentar em escala regional.
Transformar essa combinação de riqueza e vulnerabilidade em
prosperidade duradoura exige ciência aplicada, cooperação
internacional e políticas públicas consistentes. Exige, sobretudo,
reconhecer que a agricultura tropical não é parte do problema,
mas parte essencial da solução. Práticas como a integração
lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a recuperação de pastagens
degradadas, o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o
uso de bioinsumos, a produção de bioenergia e o
reaproveitamento de coprodutos e resíduos em processos de
circularidade comprovam que é possível conciliar produtividade,
conservação ambiental e mitigação de emissões.
Internet: (com adaptações).
No que se refere à função sintática de termos constituintes do
primeiro período do texto CG1A1, assinale a opção correta.