O capital, entendido como riqueza acumulada
em forma de dinheiro, propriedades imobiliárias ou
ativos financeiros, é visto como o resultado de um
processo no qual o trabalho gera o valor adicionado.
Quando o trabalhador recebe salários (digitais ou não)
pelo seu esforço produtivo, esses salários representam a
recompensa pelo trabalho realizado.
O dinheiro digitalizado representa uma forma
de acumulação de valor criada pelo trabalho. Mesmo na
economia digital, o trabalho – seja físico, seja intelectual,
seja criativo – gera um retorno financeiro. Esse retorno,
se não for imediatamente gasto, é acumulado e investido,
tornando?se capital crescente com o tempo, por meio de
juros compostos ou investimentos.
Quando o capital é investido, os juros compostos
funcionam como multiplicadores de capital, porque
aumentam a quantidade de riqueza acumulada ao longo
do tempo. Nesse sentido, o dinheiro digital gerado pelo
trabalho deve ser visto como uma forma de trabalho cujo
valor se expande por meio dos mecanismos financeiros
da economia digital. Assim como o aluguel é o pagamento
pelo usufruto de propriedade imobiliário por um locador,
os juros remuneram o custo de oportunidade pelo fato de
o próprio possuidor não usufruir diretamente de seu uso.
Em uma economia sem papel moeda, a distinção
entre trabalho e capital não muda essencialmente, mas a
forma como o capital é gerido e acumulado sim. O capital
continua a ser visto como a materialização de trabalho
passado, porém agora ele existe predominantemente em
forma digital. Isso cria outras dinâmicas.
O dinheiro digital circula mais rapidamente
em comparação com o dinheiro físico, o que acelera o
processo de acumulação e investimento, mas também de
consumo. O acesso ao capital se torna ampliado ou restrito,
dependendo de fatores como inclusão financeira digital.
Portanto, em uma economia digital, o capital pode
ser entendido como uma extensão do trabalho acumulado,
medido, transacionado e multiplicado por meio de sistemas
de escrituração digital. A confiança nesse sistema de moeda
digital e nas plataformas de transação e investimento
é fundamental para o capital continuar a representar
a riqueza criada pelo trabalho e, ao mesmo tempo, se
tornar um ativo (forma de manutenção de riqueza) fluido,
disponível para reinvestimento, consumo ou acumulação
de reserva financeira a qualquer momento.
No período “O dinheiro digital circula mais
rapidamente em comparação com o dinheiro físico, o
que acelera o processo de acumulação e investimento,
mas também de consumo.”, a substituição da primeira
vírgula por ponto, com a consequente alteração de
“o que” para O que, manteria a coerência entre as
ideias, assim como a correção gramatical: O dinheiro
digital circula mais rapidamente em comparação
com o dinheiro físico. O que acelera o processo
de acumulação e investimento, mas também de
consumo.