Considerando a informação como um conceito que
coexiste com a comunicação, conseguimos visualizá-la em dois
sentidos. O primeiro, estritamente técnico ou tecnológico, diz
respeito à informação como quantidade mensurável (dados); o
segundo sentido é qualitativo e vinculado ao papel da informação
como controle e redundância nos sistemas de comunicação. Aqui,
a informação está relacionada à organização, na estrutura e na
regulação dentro de sistemas; trata-se da informação como um
meio de organizar e estabilizar sistemas, de maneira que a
repetição (redundância) assegure a integridade da informação na
comunicação.
Dito isto, vale destacar o que se tem consolidado ao longo
das últimas décadas como tecnologias da informação e da
comunicação, em que a captura, a “mineração” e o
processamento de dados condensam os fluxos da experiência
humana, transformados em capital informativo e vendidos
diuturnamente nas e pelas estruturas tecnológicas
plataformizadas que abduzem nossa atenção. Nesse percurso,
comunicação e informação caminham juntas e compõem o
sistema central das tecnologias que, a partir das plataformas,
interagem com a humanidade e que são denominadas de
“inteligência” artificial primitiva ou generativa. Para muitos, tais
tecnologias situam-se em um estágio pós-humano ou
anti-humano.
Ana Regina Rêgo. Comunicação em tempos de inteligência artificial:
ampliação ou redução das desigualdades? In: INTERCOM — Revista Brasileira de
Ciências da Comunicação, n.º 48, 2025 (com adaptações).