O texto a seguir refere-se à questão.
Texto 1
ENTENDA POR QUE SER MULTITAREFA É UM
MITO QUE FAZ MAL AO CÉREBRO
Participar de uma reunião, checar mensagens e
adiantar um relatório ao mesmo tempo. Quem nunca
sentiu um certo orgulho por conseguir fazer várias
coisas simultaneamente? Mas, a longo prazo, a vida
multitarefas, ou multitasking, cobra seu preço. Chegar
ao fim do dia com a cabeça a mil e não conseguir
dormir é um clássico. Viver com a sensação de
cansaço também. Por essas e outras, seria sensato
parar de glorificar esse comportamento e, sempre que
possível, fazer uma coisa de cada vez.
Ninguém ganha com o multitasking
Multitarefa não é só realizar duas ou mais tarefas ao
mesmo tempo. Alternar entre uma ação e outra ou
executar várias atividades seguidas, sem pausas, são
variações sobre o mesmo tema: uma tentativa de dar
conta das mil e uma demandas do dia a dia. Com a
divisão desproporcional das funções domésticas e do
cuidado, as mulheres tendem a desenvolver ainda
mais essa “capacidade”.
Pesquisadores que estudam o impacto do
multitasking nos processos mentais garantem que a
nossa mente não foi projetada para lidar com várias
tarefas ao mesmo tempo. Por exemplo, o renomado
neurocientista Earl Miller, do Massachusetts Institute of
Technology (MIT), nos Estados Unidos, acredita que
só podemos ter um ou dois pensamentos de cada vez.
Até a produtividade pode ser prejudicada. Ao
contrário do que parece, alternar entre tarefas pode
tornar tudo mais lento. Um estudo publicado no Journal
of Experimental Psychology mostra que, ao mudar de
atividade, o cérebro precisa se reajustar, retomar o
raciocínio e lembrar as “regras” de cada função. O
multitasking também nos impede de executar algumas
ações no “piloto automático”, o que nos poupa alguns
recursos mentais.
Pane no sistema cerebral
Um estudo da Cardiff University, do Reino Unido,
indica que o multitasking tende a reconfigurar nossas
conexões cerebrais, reduzindo a capacidade de
manter o foco e de prestar atenção. Isso pode resultar
em vários problemas, como um aumento na
quantidade de erros e acidentes. Uma pesquisa de
2018, por exemplo, descobriu que adultos são mais
propensos a cometer deslizes ao dirigir se estiverem
realizando outras tarefas ao mesmo tempo, como
ajustar o Waze ou checar o WhatsApp.
A falta de atenção também prejudica a memória, já
que é preciso estar presente para que as experiências
se fixem. Além disso, ao pular de uma tarefa para outra
sem pausa, nosso cérebro não tem tempo de
consolidar o que aprendeu ou de alcançar
pensamentos mais profundos.
O multitasking também reduz a criatividade, que é
estimulada quando a mente está livre de exigências
complexas. “Muitas vezes, não estamos conseguindo
memorizar as coisas porque não estamos presente de
verdade, mas divididos em multitarefas no presencial e
no online. Existe uma ilusão de que a atenção pode ser
dividida, o que não é verdade”, explica Natália Mota,
neurocientista e psiquiatra computacional.
Lidar com tarefas simultâneas também pode
sobrecarregar o sistema nervoso e gerar sensação de
urgência constante, o que contribui para o aumento da
ansiedade. Tudo isso, a médio prazo, abre caminho ao
esgotamento mental e ao burnout.
Monotasking e seus benefícios
Em um mundo que valoriza o multitasking como uma
habilidade desejável, focar uma atividade por vez
(monotasking) é cada vez mais difícil. Na correria,
também parece que não temos outra opção. Mas
poderíamos, pelo menos, parar de romantizar esse
processo, reconhecer as suas consequências e evitar
essa prática quando possível.
Um bom primeiro passo para quem deseja adotar o
monotasking é limitar as distrações, começando pelos
momentos de lazer — por exemplo, deixar o celular de
lado enquanto assiste a séries. Já no trabalho, isso
pode significar tanto procurar um local mais silencioso
ou desligar notificações. Vale também agendar
horários específicos para checar emails, mensagens e
outras atividades que costumam nos distrair.
Mas esse talvez seja um preço necessário para
perceber o que está em excesso ou o que consome
mais tempo do que deveria. Essa mudança pode levar
a transformações mais profundas. E o cérebro
agradece.
Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/entenda-por-queser-multitarefa-e-um-mito-que-faz-mal-ao-cerebro.shtml. Acesso
em: 10 dez. de 2025.
Tendo em vista as regras de colocação pronominal
da língua portuguesa, assinale a alternativa em que
a reescrita proposta se mantém condizente com a
norma-padrão.