Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
Bons motivos para não se levar tão a sério e fazer sua
criança interior aflorar
Jogos de mesa, mímica, queimada,
palavras-cruzadas: brincar pode ser qualquer atividade de lazer sem compromisso
com a performance, só pela diversão. Na infância, a gente se sente livre para
explorar esse lado lúdico sem medo do julgamento.
À medida que a vida adulta se aproxima,
cresce a pressão para abandonar esse tipo de prazer e adotar uma postura mais
séria. Além disso, em meio a rotinas aceleradas, reservar um tempo para a
brincadeira não só é difícil, como muitas vezes parece uma perda de tempo.
Estudos recentes indicam que esse hábito
pode trazer vários benefícios para a saúde, além de tornar a vida mais leve e
plena.
Raiz do problema
Segundo o psiquiatra norte-americano
Stuart Brown, autor de “Play: How it Shapes the Brain, Opens the Imagination,
and Invigorates the Soul” (Como brincar molda o cérebro, abre a imaginação e
revigora a alma), os altos índices de melancolia de hoje — refletidos no
aumento de transtornos como depressão e ansiedade — estão ligados à supressão
do instinto natural de brincar.
“O oposto de brincar não é o trabalho, é
a depressão. O déficit de brincadeiras entre adultos está se tornando uma crise
de saúde pública”, disse em entrevista à revista National Geographic.
De acordo com um relatório publicado
pela Lego em 2022, 93% dos adultos afirmam se sentir estressados regularmente.
Entre eles, 86% dizem que brincar ou interagir com brinquedos ajuda a aliviar a
tensão. Durante esses momentos, as preocupações do trabalho e da rotina ficam
em segundo plano, e exercitamos algo cada vez mais raro: a atenção plena. Ao
nos conectarmos com o presente, também conseguimos escutar melhor nós mesmos —
com mais calma, leveza e presença.
Quando feito em grupo, o ato de brincar
pode ser um antídoto contra a solidão. E mais: fortalece os laços sociais.
Afinal, muitas vezes, durante essas atividades lúdicas, aprendemos a
compartilhar, negociar, lidar com regras, respeitar o espaço do outro e mediar
conflitos — habilidades sociais essenciais para a convivência.
Segundo Brown, brincar ainda é uma forma
eficiente de desenvolver a adaptabilidade, a inteligência, a criatividade e a
capacidade de resolução de problemas. Para ele, em tempos difíceis, precisamos
disso mais do que nunca, pois reforça nossa aptidão de lidar com o inesperado.
Os ‘kidults’
Junção das palavras “kid” (criança) e
“adult” (adulto), o termo “kidult” é usado hoje para definir os adultos que
compram, colecionam e se envolvem com brinquedos, personagens e itens que
normalmente seriam voltados para o público infantil.
Esse universo está cada vez mais longe
de ser um nicho pequeno. De acordo com dados da empresa de pesquisa WGSN, o
mercado dos brinquedos colecionáveis foi estimado em US$?12,5?bilhões em 2021 (R$ 6,6 bilhões, sem correção da inflação) e pode chegar a US$ 35,3 bilhões até 2032 (R$ 18,8
bilhões).
Só nos Estados Unidos, pessoas entre 19
e 99 anos representaram 17,3% das vendas de brinquedos em 2023, segundo a
Business Insider.
Mais do que passatempo, os brinquedos
oferecem refúgio. Em tempos de burnout e sobrecarga emocional, funcionam como
uma ponte de volta aos momentos leves da infância — e, por isso, têm ganhado
espaço em um mercado cada vez mais guiado pela nostalgia. Filmes como Barbie e
Lilo & Stitch são apenas alguns exemplos dessa tendência.
Entre os favoritos dos kidults, estão
clássicos como os bonecos Funko, as peças de Lego e as famosas action figures.
E também os hypados monstrinhos Labubu e os bebês reborn.
Hora de brincar
Em entrevista ao The New York Times, a
professora Meredith Sinclair, autora do livro “Well Played: The Ultimate Guide
to Awakening Your Family’s Playful Spirit” (Bem jogado: o guia para acordar o
espírito brincalhão da sua família), sugere um jeito simples de reencontrar o
prazer de brincar: lembrar do que fazia você feliz na infância. Pode ser algo
tão simples quanto massinha de modelar, jogar stop com amigos ou correr atrás
de uma bola no parque. O importante é deixar de lado a preocupação com o olhar
alheio.
Brincar também passa por fazer algo sem
a intenção de postar ou de gerar engajamento — algo que, convenhamos, anda cada
vez mais raro. Embora compartilhar nas redes o que tem feito você se divertir
seja legal, inclusive para inspirar outras pessoas, viver uma experiência só
para si pode ser um exercício bem poderoso.
Na vida adulta, brincar raramente
acontece por acaso. Por isso, vale reservar um tempo na agenda. Dedicar alguns
minutos do dia a algo leve, só por prazer, pode ser justamente o que falta para
sua rotina ficar um pouco mais solar.
Adaptado de:
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/bons-motivospara-nao-se-levar-tao-a-serio-e-fazer-sua-crianca-interior-aflorar.shtml.
Acesso em: 23 dez. 2025.