O texto seguinte servirá de base para responder a questão.
O que é a oxitocina, o 'hormônio do amor' que nos
deixa mais sociáveis — versão reduzida em 50%
O que ocorre no cérebro quando o amor parece dominar
o ambiente? Durante muito tempo, biólogos apontaram a
oxitocina como principal explicação. Essa pequena
proteína, formada por nove aminoácidos, ficou conhecida
como hormônio do amor por sua relação com vínculo
afetivo, cuidados maternos e comportamentos sociais
positivos.
Pesquisas recentes, porém, mostram um quadro mais
complexo. Estudos com animais indicam que a oxitocina
não produz diretamente bons comportamentos sociais;
ela aperfeiçoa a percepção de sinais sociais, permitindo
que o indivíduo aprenda a direcionar seu comportamento
com maior precisão.
A antiga visão de que a oxitocina era liberada em
interações com indivíduos importantes — como filhos ou
parceiros — permanece válida, mas pesquisadores
observaram que bloquear sua ação impede
camundongos de reconhecer figuras relevantes,
sugerindo papel essencial no aprendizado social.
Avanços recentes permitiram registrar neurônios
produtores de oxitocina, revelando que ela filtra ruídos
sensoriais. Em ratos, por exemplo, reduz disparos
aleatórios no centro olfativo, destacando odores
significativos. Esse refinamento foi comparado à
capacidade de pais ouvirem o choro do bebê mesmo em
meio a ruídos.
A oxitocina também intensifica o sistema de
recompensas, levando animais a priorizar estímulos
sociais. Entre arganazes-do-campo, isso facilita a
formação de pares monogâmicos: o odor do parceiro
torna-se uma recompensa.
O papel da oxitocina varia conforme o contexto. Ela
amplia cuidados maternos, mas também agressões
contra intrusos; em fêmeas de arganazes-do-campo, seu
efeito depende de já haver vínculo formado. Em
humanos, estudo de 2012 mostrou que homens
comprometidos mantiveram maior distância de uma
mulher desconhecida após receber oxitocina, efeito não
observado em solteiros.
Essa variabilidade contextual ajuda a explicar o
insucesso de sprays de oxitocina no tratamento do
autismo em ensaios clínicos amplos. Sem considerar
ambientes negativos, como bullying escolar, a substância
pode até intensificar experiências desfavoráveis.
Apesar de seu papel central na regulação dos
comportamentos sociais, a oxitocina não atua sozinha.
Como ressaltam alguns pesquisadores, apaixonar-se
envolve corpo e cérebro como um todo: sensações,
cognição e memória. A oxitocina é apenas um dos
moduladores desse processo complexo — longe de ser
sua explicação única.
https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-60801668.adaptado.
O texto apresenta uma abordagem científica sobre a
atuação de uma substância no funcionamento do
cérebro, discutindo seus efeitos sobre comportamentos
sociais, vínculos afetivos e respostas individuais, a partir
de diferentes contextos e resultados de pesquisas.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a
seguir e assinale a alternativa CORRETA.