Leia o texto a seguir para responder à questão.
Corrupção na Ditadura
Durante a ditadura militar no Brasil, a Comissão Geral de Investigações (CGI) tinha como objetivo central
apurar casos de corrupção por meio de investigações sumárias e sigilosas.
Criada em 1964 para atuar como um "tribunal administrativo especial", a CGI ganhou novos poderes com
o AI-5. As investigações sofriam evidentes interferências políticas e foram alvo de críticas por abusos e
excessos. A CGI analisava denúncias e podia sugerir o confisco de bens e outras medidas repressivas. A
CGI atuava para além dos casos de enriquecimento ilícito, realizando perseguições políticas. A simples
existência da Comissão gerava medo, funcionando como uma ferramenta de intimidação. Dos atingidos,
mais de 41% eram políticos e cerca de 36% funcionários públicos. Entre 1968 e 1973, foram analisados
1153 processos, dos quais 1000 foram arquivados e apenas 41 confiscos decretados, a maioria em
bancas de jogo do bicho. Além disso, a CGI não se voltou para o principal foco da corrupção na ditadura:
os próprios militares. Durante a ditadura militar, foram diversos os casos de corrupção, embora a censura
e a repressão tenham dificultado a exposição das irregularidades. Grandes obras, como a
Transamazônica, Itaipu e as usinas nucleares de Angra, foram marcadas por superfaturamento e desvios
de verbas. Instituições públicas, como o BNDES e a Petrobras, também foram usadas para beneficiar
aliados do regime. Concessões de rádio e TV favoreceram grupos de mídia, enquanto militares e
empresários ligados ao governo criaram empresas para obter contratos fraudulentos. A ausência de
fiscalização, a censura e a centralização de poder facilitaram essas práticas, desmentindo o mito de que o
regime era "imune" à corrupção.
Disponível em: https://www.gov.br/memoriasreveladas/pt-br/centrais-de-conteudo/destaques/corrupcao-na-ditadura.
Acesso em 12 jul. 2025. (Fragmento)