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A sociedade brasileira passou por importantes transformações políticas, econômicas, sociais e culturais nas últimas décadas. Seus efeitos podem ser observados nas instituições, nas relações de trabalho, na organização territorial, nas formas de participação social e nas condições de vida de diferentes grupos da população. Considerando as relações entre mudanças e permanências na história recente do Brasil, qual interpretação está correta?
Em suas análises sobre a formação da sociedade brasileira, Florestan Fernandes investiga os limites da modernização nacional, apontando os fatores que impediram a consolidação de uma ordem social competitiva e plenamente democrática no país.
Considere as seguintes afirmações sobre os obstáculos a essa ordem competitiva na teoria do autor.

I - A transição para o trabalho livre reatualiza o legado senhorial ao utilizar o preconceito de cor como um mecanismo estrutural de exclusão socioeconômica da população negra do mercado de trabalho formal.
II - A burguesia brasileira atuou como uma força revolucionária típica, rompendo radicalmente com as oligarquias agrárias para instituir a livre concorrência e a igualdade de oportunidades jurídicas.
III - O desenvolvimento do capitalismo no Brasil configurou-se como uma “revolução dentro da ordem”, em que as elites conciliaram o progresso técnico com a manutenção da autocracia e da marginalização das classes populares.

Quais estão corretas? 
De acordo com Cida Bento,

"A destruição de um pacto narcísico não é só individual, mas tem sua âncora em ações coletivas estruturais envolvendo a responsabilidade social das organizações que precisam se posicionar diante de sua herança concreta e simbólica na história do país. Não podem se omitir dos créditos e das dívidas das gerações passadas, como da escravidão ou dos recorrentes períodos ditatoriais, para não cair num mecanismo de repetição do qual as gerações futuras só teriam a sofrer."

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 80.

Ao analisar a persistência das desigualdades raciais no Brasil, Cida Bento argumenta que a desigualdade racial é reproduzida por mecanismos históricos, institucionais, simbólicos e psicossociais. Com base nesse fundamento, assinale a alternativa que melhor expressa o conceito de branquitude. 
A cidadania moderna não se reduz à posse formal de direitos, pois sua efetivação depende das condições sociais que permitem aos indivíduos exercê-los plenamente. Em sociedades marcadas por desigualdades, a ampliação do acesso a direitos não assegura necessariamente sua realização concreta, o que exige a compreensão das relações entre educação, participação social e estrutura social.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 24. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. Adaptado.

A coexistência entre ampliação da escolarização e persistência de desigualdades sociais coloca em questão a capacidade da educação de promover a cidadania para além de sua dimensão formal, evidenciando que a relação entre educação e cidadania
“No Atlas do Desenvolvimento Humano, são consideradas extremamente pobres, pobres e vulneráveis à pobreza as pessoas com renda domiciliar per capita mensal inferior a R$70,00, R$140,00 e R$255,00 (valores a preços de 01 de agosto de 2010) [...]. Em 2000, 2,55% da população do município eram extremamente pobres, 13,02% eram pobres e 36,67% eram vulneráveis à pobreza; em 2010, essas proporções eram, respectivamente, de 0,12%, 2,78% e 11,57%. Analisando as informações do Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal, a proporção de pessoas extremamente pobres [...] inscritas no CadÚnico, após o recebimento do Bolsa Família passou de 8,46%, em 2014, para 7,40%, em 2017 [evidenciando que mais pessoas passaram a ser identificadas e incluídas nos programas sociais]. Já a proporção de pessoas pobres [...], inscritas no cadastro, após o recebimento do Bolsa Família, era de 34,48%, em 2014, e 38,82%, em 2017. Por fim, a proporção de pessoas vulneráveis à pobreza [...], também inscritas no cadastro, após o recebimento do Bolsa Família, era de 43,42%, em 2014, e 73,53%, em 2017. O índice de Gini no município passou de 0,46, em 2000, para 0,40, em 2010, indicando, portanto, houve redução na desigualdade de renda.”
(ATLAS BRASIL. Camboriú. Atlas Brasil. Disponível em: www.atlasbrasil.org.br/perfil/municipio/4203204#idhm-all. Acesso em: 20 abr. 2026.)
A mensuração das transformações socioeconômicas em escala municipal demanda a análise integrada de indicadores de renda, desigualdade e políticas públicas, considerando seus efeitos sobre a reprodução social e as condições materiais de existência. No município de Camboriú, a evolução desses indicadores ao longo das primeiras décadas do século XXI permite problematizar a relação entre programas sociais e pobreza. À luz dessas considerações, examine as afirmativas a seguir e identifique a correta.