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Construir um programa de ensino de Educação Física deve ir além de organizar e sequenciar conteúdos. O que o professor seleciona e como pensa didaticamente suas aulas, tem relação direta com aquilo que almeja para seus alunos. Para o Coletivo de Autores (2012), o programa que o professor estabelece para desenvolver suas aulas de Educação Física deve ter como elementos principais:
A relação entre as instituições esporte e escola historicamente nem sempre foi amistosa, havendo tensões pela incompatibilidade dos objetivos que cada uma carrega. Segundo Castellani Filho (2013), é possível perceber nesta relação momentos em que o esporte está na escola impondo seus códigos e significados, em outros é utilizado pela escola como objeto de projeção do seu nome no mercado educacional. Para o autor, a relação entre esporte e escola é relevante do ponto de vista pedagógico quando:
A Lei nº 11.645/2008, sancionada em 10 de março de 2008, tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do Brasil. Segundo Pereira (2021), um dos motivos que prejudica a aplicação da referida lei ainda tem sido a resistência de muitos professores que não veem relação entre a disciplina e a temática, e/ou não se sentem preparados a aplicá-la. Segundo a autora, a Educação Física, em específico, abre possibilidades para que se pense na ressignificação dos elementos das práticas corporais indígenas, na adoção de posturas e valores que possam ser problematizados nas suas aulas, contribuindo para a diminuição das desigualdades sociais. Frente à própria história da Educação Física brasileira, que carrega fortemente aspectos do esportivismo, bem como a história de nosso país, que subscreveu os indígenas, a autora defende uma Educação Física escolar que:
O trato com o conhecimento reflete a sua direção epistemológica e informa os requisitos para selecionar, organizar e sistematizar os conteúdos de ensino. Apoiados no professor José Carlos Libâneo (1985), Soares et al. (1992) apontam que os conteúdos de ensino emergem de conteúdos culturais universais, constituindo-se em domínios de conhecimento relativamente autônomos, incorporados pela humanidade e reavaliados, permanentemente, em face da realidade social. Dentro de uma pedagogia crítico-superadora da Educação Física escolar, os autores elencam alguns princípios curriculares no trato com o conhecimento, como a relevância social do conteúdo que sugere que:
Buscando operar com uma ideia de inclusão como um processo dialético e infindável, Michele Pereira de Souza da Fonseca e Maitê Mello Russo Ramos (2017) defendem a inclusão enquanto um conceito amplo, uma perspectiva que não privilegia somente uma parte da população; não se limita à simples inserção de pessoas rotuladas como diferentes num ambiente do qual têm sido historicamente excluídos, e também não se restringe a algumas pontuais áreas da vida humana. A partir desse prisma, as autoras buscam formular propostas de ensino e de aprendizagem para a Educação Física escolar em uma perspectiva inclusiva, apontando como estratégias: