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Segundo Kimberlé Williams Crenshaw, determinadas formas de desigualdade não podem ser compreendidas de maneira isolada, na medida em que decorrem da articulação entre diferentes sistemas de subordinação, como o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros mecanismos discriminatórios. Nesse contexto, as múltiplas formas de subordinação produzem experiências específicas de vulnerabilidade e desempoderamento que não se explicam pela análise de apenas um desses eixos.

Adaptado de: CRENSHAW, Kimberlé Williams. Documento para o Encontro de Especialistas em Aspectos da Discriminação Racial Relativos ao Gênero. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 10, n. 1, 2002.

As características apresentadas no trecho acima definem o conceito de 
Segundo Dennis de Oliveira,

"Uma compreensão do racismo meramente como atitude individual/comportamental pode levar à ilusão de que processos educativos ou mesmo mecanismos dissuasórios por meio de normas punitivas seria o suficiente [...] Sem deixar de considerar a importância dessas ações, estas são limitadas se desconsiderar o caráter estrutural do racismo, isto é, que ele normaliza determinadas tipologias de relações e que estas são aderentes à sociedade de classes”.

OLIVEIRA, Dennis. Racismo estrutural: uma perspectiva histórico-crítica. São Paulo: Editora Dandara, 2021, p. 63.

Em consonância com a análise do autor, assinale a alternativa correta. 
De acordo com Cida Bento,

"A destruição de um pacto narcísico não é só individual, mas tem sua âncora em ações coletivas estruturais envolvendo a responsabilidade social das organizações que precisam se posicionar diante de sua herança concreta e simbólica na história do país. Não podem se omitir dos créditos e das dívidas das gerações passadas, como da escravidão ou dos recorrentes períodos ditatoriais, para não cair num mecanismo de repetição do qual as gerações futuras só teriam a sofrer."

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 80.

Ao analisar a persistência das desigualdades raciais no Brasil, Cida Bento argumenta que a desigualdade racial é reproduzida por mecanismos históricos, institucionais, simbólicos e psicossociais. Com base nesse fundamento, assinale a alternativa que melhor expressa o conceito de branquitude. 
De acordo com Zygmunt Bauman,

"Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável."

BAUMAN, Zygmunt. Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

Considerando a análise de Bauman acerca da sociedade de consumidores e de suas implicações para a cidadania, analise as assertivas abaixo, assinalando-as com V (verdadeiro) ou F (falso).

( ) Na sociedade de consumidores, o reconhecimento social tende a depender crescentemente da capacidade dos indivíduos de se apresentarem como mercadorias desejáveis, fazendo do consumo um importante mecanismo de inclusão e pertencimento social.
( ) Ao subordinar o reconhecimento social à lógica do mercado, a sociedade de consumidores tende a obscurecer a cidadania enquanto conjunto de direitos universais, deslocando-a para a capacidade individual de consumir.
( ) Para Bauman, a ampliação do acesso ao consumo representa condição suficiente para assegurar a cidadania substantiva, uma vez que reduz desigualdades sociais e amplia a participação política dos indivíduos.
( ) A lógica consumista favorece a responsabilização individual pelo sucesso ou fracasso social, contribuindo para naturalizar desigualdades estruturais e enfraquecer a percepção das condições sociais que as produzem.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
A cidadania moderna não se reduz à posse formal de direitos, pois sua efetivação depende das condições sociais que permitem aos indivíduos exercê-los plenamente. Em sociedades marcadas por desigualdades, a ampliação do acesso a direitos não assegura necessariamente sua realização concreta, o que exige a compreensão das relações entre educação, participação social e estrutura social.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 24. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. Adaptado.

A coexistência entre ampliação da escolarização e persistência de desigualdades sociais coloca em questão a capacidade da educação de promover a cidadania para além de sua dimensão formal, evidenciando que a relação entre educação e cidadania