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Para Benjamin, a multiplicação da reprodução substitui
a existência única da obra de arte por uma existência
serial.
De acordo com Benjamin, mesmo a reprodução mais
perfeita não escapa à ausência do aqui e agora da obra
de arte; é esse aqui e agora que constitui o cerne de sua
autenticidade.
Um professor de Filosofia apresentou aos seus estudantes em uma de suas aulas sobre mitologia os textos
a seguir.
TEXTO 1
Omama criou os xapiri, para podermos nos vingar das doenças e nos proteger da morte a que nos sujeitou seu irmão mau. Depois, escondeu-os, até que seu filho se tornasse xamã, no topo das montanhas e nas profundezas do mato. O pai de minha esposa conta que foi a esposa de Omama, a mulher das águas, quem primeiro pediu que os xapiri fossem trazidos à existência. A mulher das águas lhe disse então: “Crie os xapiri, para curarem nossos filhos!”. Omama concordou: “Awei! São palavras sensatas. Os espíritos irão afugentar os seres maléficos. Foi assim que ele fez aparecer os xapiri, tão numerosos e poderosos quanto os conhecemos hoje. Mais tarde, o filho de Omama tornou-se um rapaz e seu pai quis que ele aprendesse a fazer dançar os xapiri para poder tratar os seus.
KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (adaptado).
TEXTO 2
O médico é o moderno mestre do reino do mito, o guardião da sabedoria a respeito de todos os caminhos secretos e fórmulas poderosas. Seu papel equivale precisamente ao do Velho Sábio, presença constante nos mitos e contos de fadas, cujas palavras ajudam o herói nas provas e terrores da fantástica aventura. É ele que aplica o bálsamo curativo nas feridas quase fatais e, por fim, leva o conquistador de volta ao mundo da vida normal após a grande aventura na noite encantada.
CAMPBELL, J. O herói de mil faces. Tradução: Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix Pensamento, 2009 (adaptado).
Nesse caso, os fragmentos de texto apresentados possibilitam aos estudantes reconhecer
TEXTO 1
Omama criou os xapiri, para podermos nos vingar das doenças e nos proteger da morte a que nos sujeitou seu irmão mau. Depois, escondeu-os, até que seu filho se tornasse xamã, no topo das montanhas e nas profundezas do mato. O pai de minha esposa conta que foi a esposa de Omama, a mulher das águas, quem primeiro pediu que os xapiri fossem trazidos à existência. A mulher das águas lhe disse então: “Crie os xapiri, para curarem nossos filhos!”. Omama concordou: “Awei! São palavras sensatas. Os espíritos irão afugentar os seres maléficos. Foi assim que ele fez aparecer os xapiri, tão numerosos e poderosos quanto os conhecemos hoje. Mais tarde, o filho de Omama tornou-se um rapaz e seu pai quis que ele aprendesse a fazer dançar os xapiri para poder tratar os seus.
KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2010 (adaptado).
TEXTO 2
O médico é o moderno mestre do reino do mito, o guardião da sabedoria a respeito de todos os caminhos secretos e fórmulas poderosas. Seu papel equivale precisamente ao do Velho Sábio, presença constante nos mitos e contos de fadas, cujas palavras ajudam o herói nas provas e terrores da fantástica aventura. É ele que aplica o bálsamo curativo nas feridas quase fatais e, por fim, leva o conquistador de volta ao mundo da vida normal após a grande aventura na noite encantada.
CAMPBELL, J. O herói de mil faces. Tradução: Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix Pensamento, 2009 (adaptado).
Nesse caso, os fragmentos de texto apresentados possibilitam aos estudantes reconhecer
Em uma aula sobre Filosofia Africana no Ensino Médio, a professora explicou que um dos elementos
importantes para compreender a relação com o mundo conforme algumas tradições africanas é a
“cosmopercepção”, em vez de “cosmovisão”. Para isso, expôs a crítica apresentada a seguir, da epistemóloga
nigeriana Oyeronké Oyewumi.
O termo “cosmovisão”, que é usado no Ocidente para resumir a lógica cultural de uma sociedade, capta o privilégio ocidental do visual. É eurocêntrico usá-lo para descrever culturas que podem privilegiar outros sentidos. Portanto, “cosmovisão” só será aplicada para descrever o sentido cultural ocidental, e “cosmopercepção” será usada ao descrever os povos iorubás ou outras culturas que podem privilegiar sentidos que não sejam o visual ou, até mesmo, uma combinação de sentidos.
OYEWUMI, O. A invenção das mulheres. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021 (adaptado).
Em seguida, um dos estudantes interpelou a professora, pois não entendeu como a mudança de termo influenciaria no entendimento dessa filosofia. Com isso, a professora apresentou um trecho da música Pedagoginga, de Thiago Elniño, para explicar como o universo iorubá, muito presente em músicas das populações negras, parte de uma combinação de sentidos, que não somente a visão, para a compreensão do mundo.
Minha percepção de mundo/ Diz que nós mesmo não vendo nada em volta/ Nunca estamos sós/ Faço minha oração, peço força pro meu guia/ E que ele não me abandone nas lutas do dia a dia
ELNIÑO, T. Pedagoginga. Álbum: A rotina do pombo. 2017.
Com relação ao contexto apresentado, é correto afirmar que a estratégia utilizada pela professora foi
O termo “cosmovisão”, que é usado no Ocidente para resumir a lógica cultural de uma sociedade, capta o privilégio ocidental do visual. É eurocêntrico usá-lo para descrever culturas que podem privilegiar outros sentidos. Portanto, “cosmovisão” só será aplicada para descrever o sentido cultural ocidental, e “cosmopercepção” será usada ao descrever os povos iorubás ou outras culturas que podem privilegiar sentidos que não sejam o visual ou, até mesmo, uma combinação de sentidos.
OYEWUMI, O. A invenção das mulheres. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021 (adaptado).
Em seguida, um dos estudantes interpelou a professora, pois não entendeu como a mudança de termo influenciaria no entendimento dessa filosofia. Com isso, a professora apresentou um trecho da música Pedagoginga, de Thiago Elniño, para explicar como o universo iorubá, muito presente em músicas das populações negras, parte de uma combinação de sentidos, que não somente a visão, para a compreensão do mundo.
Minha percepção de mundo/ Diz que nós mesmo não vendo nada em volta/ Nunca estamos sós/ Faço minha oração, peço força pro meu guia/ E que ele não me abandone nas lutas do dia a dia
ELNIÑO, T. Pedagoginga. Álbum: A rotina do pombo. 2017.
Com relação ao contexto apresentado, é correto afirmar que a estratégia utilizada pela professora foi
O ensinamento e a concentração antropocêntrica que orientou e sustentou o processo de colonização
das Américas trouxe esse pensamento branco para ocupar as suas paisagens, imprimiu nestas a
visão de uma platitude, a visão de um lugar plano, onde o saque de toda riqueza, de toda fartura da
natureza se constitui no projeto civilizatório, no projeto de conquista, no projeto de consolidação de
um tipo de sociedade. Um tipo de sociedade que nós involuntariamente nos encaixamos, como essa
sociedade brasileira que constituímos.
KRENAK, A. apud WERÁ, K. (Org.). Ailton Krenak. Coleção Tembetá. Rio de Janeiro: Azougue, 2017 (adaptado).
Uma professora de Filosofia do Ensino Médio que propuser à turma uma atividade a partir do texto apresentado poderá solicitar aos estudantes, para melhor compreensão do tema, a realização de uma pesquisa sobre qual aspecto da cultura dos povos originários?
KRENAK, A. apud WERÁ, K. (Org.). Ailton Krenak. Coleção Tembetá. Rio de Janeiro: Azougue, 2017 (adaptado).
Uma professora de Filosofia do Ensino Médio que propuser à turma uma atividade a partir do texto apresentado poderá solicitar aos estudantes, para melhor compreensão do tema, a realização de uma pesquisa sobre qual aspecto da cultura dos povos originários?