Filtrar


Questões por página:
Colombo, que afirmara e continuou afirmando, convictamente ou não, serem do Extremo Oriente as terras que descobrira, já disso estava sem dúvida desenganado ao percorrer, no decurso das suas últimas viagens, terras continentais que em nada se ostentavam fabulosas, como daquelas se sabia serem. Que se tratava de uma barreira erguida entre a Europa e a Ásia era mesmo opinião geral entre as gentes ligadas em Espanha às atividades marítimas, noção da qual emergia, como é natural, a de ser necessário navegar até lhe encontrar o fim e seguir daí pelo resto do mar que ainda tivesse de sulcar-se para atingir o continente asiático.
(Peres, 1992, p. 73-74.)
A Espanha foi o segundo país a se lançar na aventura das grandes navegações. A primeira viagem marítima financiada pelo país ocorreu em 1492, com Cristóvão Colombo, 77 anos depois de os portugueses invadirem Ceuta, no Reino de Fez (atual Marrocos), em 1415. Vários motivos levaram a Espanha a esse “atraso”, entre os quais podemos apontar:
Várias heresias foram combatidas e seus partidários condenados à morte. Mas suas ideias contribuíram, séculos depois, para a Reforma Religiosa. A formação das monarquias modernas foi outro fator que colaborou para o nascimento do movimento reformista, uma vez que o conflito entre o poder temporal, representado pelo Rei, e o poder espiritual, representado pelo Papa, constituía um obstáculo ao fortalecimento da autoridade central. Além disso, os dízimos transferidos para Roma prejudicavam as finanças dos Estados. E as extensas propriedades da Igreja em cada reino eram cobiçadas pelos reis e pela nobreza.
(VARIA HISTÓRIA, Belo Horizonte, vol. 23, nº 37: p.130-150, Jan/Jun 2007.)
Na esteira das transformações ocorridas na transição da Idade Média para a Idade Moderna, antes mesmo dos grandes reformistas, alguns movimentos são considerados precursores da Reforma, tais como o caso de John Wycliffe e o caso do padre Jan Huss, cujos movimentos:
Durante boa parte da Idade Média, em especial a Idade Média Central e a Baixa Idade Média, quase todos os elementos da vida neste período mostravam-se abertamente: a peste, a morte, as calamidades; os grandes fatos da vida, as catástrofes, o nascimento, o matrimônio, o enterro, o cemitério; a Igreja, as procissões, os julgamentos, as transações comerciais; a fé, a justiça, as aventuras do cavaleiro, o amor, a cidade e o campo; o real, o imaginário, os fantasmas, os vivos e os mortos, os santos; a Igreja e o cisma; os papas e os reis; o fim do mundo, o reino das trevas, o paraíso e homem. “Tudo o que acontecia na vida era dotado de contornos bem mais nítidos que os de hoje.” (HUIZINGA, 2015, p. 11.)
Basicamente, em todos esses eventos do cotidiano, pairava a presença soberana da Igreja Católica, que, entre os muitos métodos de expandir seus dogmas e preceitos, utilizou-se:
“(...) em todas as formas de sociedade, é uma determinada produção e suas relações que atribuem posição e influência a qualquer outra produção e suas relações. É uma iluminação geral, em que são imersas todas as cores e que modifica suas tonalidades particulares. É um éter especial a definir a gravidade específica de tudo o que dele se destaca.” No lugar da noção de primazia do “econômico” (mais “real”) – com que as normas e a cultura são vistas como reflexos secundários –, o que essa passagem enfatiza é a simultaneidade da manifestação de relações produtivas particulares em todos os sistemas e áreas da vida social.
(THOMPSON, 2001.)
Especificamente no que se refere ao feudalismo e suas relações produtivas: 
O terceiro século d.C. marcou o início de profundas mudanças no mundo romano. A instabilidade política culminaria com o fim da dinastia dos Severos, levando o Império a um período de constantes usurpações de poder nas diversas províncias – a chamada “Anarquia Militar”. O aparelho estatal diluía-se frente à vastidão e complexidade do território imperial, e a crise econômica, aliada a diversos flagelos sociais como más safras e a precária distribuição de alimentos, causaram profundas alterações no status quo da legitimidade do poder. [...] Dentre as principais mudanças em resposta à Crise do Século III, são normalmente apontadas a concentração do poder nas mãos do Estado, a diminuição das liberdades individuais, o regime de Dominato e a consolidação da Basileia. A nova sociedade romana, que surge após o terceiro século, tão diferente da sociedade clássica, precede a desfragmentação do sistema imperial no Ocidente no V século d.C., e na criação do Império Bizantino no Oriente. (FRIGUETTO, R. 2006.)
Entre as principais mudanças em resposta à Crise do Século III, podemos apontar: