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Fala-se muito, hoje em dia, da questão ecológica. Mas, regra geral, as pessoas se portam como se os delitos ambientais fossem uma criação recente, efeitos inevitáveis e específicos da civilização urbano — industrial. Não é bem assim. O que há, nos dias que passam, é que a nossa capacidade destrutiva alcançou um grau historicamente inédito. Temos poder suficiente para detonar o planeta. Mas isso não significa que crimes contra o mundo natural sejam uma invenção contemporânea. Bem vistas as coisas, a história da devastação ambiental dos trópicos brasílicos começou com os índios. Foram eles que deram início ao processo de destruição da vegetação que recobria milenarmente o nosso litoral.
Quando os primeiros navegadores europeus chegaram aqui, não deram de cara com uma “natureza” pura, intocada. Mas com um mundo onde, para lembrar o trocadilho de James Joyce, a mão do homem já havia posto os pés. Seres humanos circulavam há milênios por esses trópicos. Dados arqueológicos revelam que a zona costeira do Brasil já possuía “sambaquis”, depósitos de conchas marinhas e restos humanos, há oito mil anos atrás. Viviam então, em nosso atual território, populações engajadas em atividades de caça e coleta de alimentos. E tudo indica que essas populações não deixaram de realizar as suas intervenções no mundo natural. Apesar das evidências disponíveis, todavia, o terreno permanece hipotético. Os problemas começam, de fato, quando começam as práticas agrícolas. A agricultura representa — sempre — uma reviravolta radical na relação do homem com a natureza. Quando ela se impõe, o ecossistema deixa de imediato de ser regido por processos unicamente naturais. (RISÉRIO,2004, p.242-243).

A questão ambiental tem sido uma grande preocupação no mundo atual e essa problemática está relacionada, entre outros fatores, ao desenvolvimento da atividade agrícola que, no Brasil,
31.png (298×207) (Fonte: Humor Político)
A charge acima é uma crítica ao vazamento de óleo que ocorreu no litoral nordestino e atingiu praias do estado da Bahia, no segundo semestre de 2019. Em relação às possíveis consequências deste vazamento paraomeio ambiente, analise as afirmativas abaixo.

I. O óleo pode causar a morte de animais marinhos, como tartarugas e peixes. II. O óleo pode alterar a qualidade da água, deixandoa inclusive imprópria para o banho. III. O óleo pode ocasionar a formação de processos erosivos em áreas de mangue, como ravinas e voçorocas. IV. O óleo pode reduzir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo assim com o aquecimento global.
Assinale a alternativa correta.
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“O homem chega, já desfaz a natureza Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar. O São Francisco lá pra cima da Bahia Diz que dia menos dia vai subir bem devagar. Vai ter barragem no salto do Sobradinho E o povo vai-se embora com medo de se afogar. O sertão vai virar mar, dá no coração O medo que algum dia o mar também vire sertão”
Guttemberg Guarabyra
A canção Sobradinho, cantada pelo trio Sá, Rodrix eGuarabyra, protesta contra a construçãoda Usina Hidrelétrica de Sobradinho, que foi instalada na década de 70 no rio São Francisco, no estado da Bahia. Sobre os impactos negativos causados pela construção de grandes barragens, que afetam a sociedade e o meio ambiente, assinale a alternativa incorreta.
As duas últimas décadas foram marcadas por uma intensa modernização nos novos fronts agrícolas, a qual mais recentemente, repercutiu de forma bastante positiva na balança comercial brasileira, já que o agronegócio atingiu superávits de US$ 20,4 bilhões e 2002 e US$ 25,8 bilhões em 2003. O PIB do agronegócio (...) representa atualmente cerca de um terço do PIB total brasileiro. CASTILLO, R. Exportar alimentos é a saída para o Brasil? O caso do complexo soja. In: ALBUQUERQUE, E. S. Que país é esse? Pensando o Brasil contemporâneo. São Paulo: Globo,2005.
O texto acima destaca os novos fronts agrícolas do Brasil. A partir dele e dos conhecimentos geográficos relacionados à expansão do agronegócio, principalmente da soja, no CentroOeste e Norte do território brasileiro, julgue as asserções a seguir.
I - Dentre as características principais da produção de soja nesses novos fronts agrícolas, pode-se destacar: tamanho médio das unidades produtivas maior que no Rio Grande do Sul e Paraná; grande apoio tecnológico, com desenvolvimento de variedades de soja adaptadas a latitudes mais baixas; menor presença de cooperativas; topografia com relevo plano, propícia à mecanização; II – A combinação de características naturais e geoeconômicas, juntamente com preços favoráveis no mercado internacional, fez dessas novas áreas agrícolas verdadeiros enclaves de modernização, modificando substancialmente a paisagem do Cerrado e promovendo danos ambientais; III – A crescente utilização da hidrovia Madeira Amazonas, ligando Porto Velho (RO) aos portos fluviais de Itacoatiara (AM) e Santarém (PA), principalmente pelo grupo Maggi, tem contribuído para reverter a matriz do transporte da soja que estava fortemente baseada no modal rodoviário; IV – Diferente da produção do Rio Grande do Sul e do Paraná, a produção da soja nesses novos fronts apresenta um aumento significativo do trabalho manual do campo, um baixo investimento em tecnologia e a forte dependência de pesquisa externa.
Estão corretas
Os impactos ambientais têm se agravado em função do maior desenvolvimento anárquico das forças produtivas que estruturam o modo de produção capitalista, enquanto as relações de produção são relações de domínio e submissão. É dessa relação que se constata o grau de dilapidação da capacidade produtiva da terra, com crescente degradação da natureza, determinada por um aproveitamento generalizado e mais intenso dos recursos naturais. CASSETI, Valter. Ambiente e Apropriação do relevo. Contexto: São Paulo,1991.(Texto adaptado).
A partir da análise do texto e da literatura existente sobre o processo de apropriação da natureza, julgue os itens a seguir.
I - A crescente degradação da natureza ocorre, sobretudo, através dos processos de industrialização e de agricultura predatória que se aperfeiçoam com a revolução tecnológica e científica, o que leva à produção em massa, exigindo assim, mais exploração dos recursos naturais. II - O trecho “as relações de produção são relações de domínio e submissão”, refere-se à lógica do mercado em desenvolver alto grau tecnológico para produzir bens que tornem a sociedade submissa ao consumo e dominada pela mídia que a leva a criar hábitos de comprar.
III - Catástrofes ambientais como: chuvas ácidas, abalos sísmicos e erupções vulcânicas são conseqüências do grau de dilapidação da capacidade produtiva da terra em detrimento de uma forma correta de apropriação da natureza. IV - As relações de produção no espaço urbano provocam intensas transformações ambientais nas grandes cidades, entre as quais encontra-se a desorganização do mecanismo climático, expressa por fenômenos como a inversão térmica e a formação de ilhas de calor.
Entre as afirmativas corretas, encontram-se,