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Uma instituição privada de educação infantil implementa um protocolo interno que determina que todas as crianças com paralisia cerebral classe GMFCS II–V devem receber um “kit padrão de tecnologia assistiva”, composto por utensílios préselecionados (talheres adaptados, pranchas de comunicação pictográfica genérica e cadeiras posturais padronizadas). O protocolo foi criado para “otimizar recursos e evitar variações entre profissionais”.
A terapeuta ocupacional responsável é pressionada a seguir o protocolo, mesmo quando observa que:
? a criança demonstra preferência por objetos não padronizados, construídos com a turma;
? as rotinas pedagógicas são rígidas e não permitem a experimentação de novos modos de participação;
? o kit é introduzido sem análise da atividade, do ambiente, da demanda escolar ou da agência da criança;
? professores entendem a Tecnologia Assistiva (TA) como “equipamento terapêutico” e não como recurso pedagógico de mediação.
Considerando Rocha & Deliberato (2012) e discussões contemporâneas sobre participação, qual é o erro conceitual mais grave do protocolo e qual deve ser a atuação da terapeuta ocupacional?
Uma universidade pública inicia uma política de inclusão que foca exclusivamente na reforma arquitetônica dos prédios (rampas, barras, elevadores), mantendo inalterados:
? os critérios de avaliação,
? horários incompatíveis com rotinas de cuidado de estudantes com deficiência,
? metodologias centradas em longas exposições orais sem pausas,
? aspectos de acessibilidade comunicacional (materiais não adaptados, linguagem técnica inacessível),
? práticas docentes que penalizam atrasos decorrentes de barreiras funcionais.
A equipe gestora afirma que “a acessibilidade está resolvida, pois agora tudo é fisicamente acessível”. Um grupo de estudantes denuncia que, apesar das reformas, segue excluído de atividades curriculares, provas e projetos de extensão.
Com base em Jurdi et al. (2024), e considerando a concepção ampliada de acessibilidade e justiça ocupacional, qual deve ser a análise e a atuação esperada da Terapia Ocupacional?
Em uma reunião intersetorial entre profissionais da saúde, educação e assistência social, o terapeuta ocupacional Felipe é questionado sobre sua função no acompanhamento de um grupo de adolescentes em vulnerabilidade, que apresentam histórico de evasão escolar, uso de substâncias e conflitos com professores.
A equipe de saúde espera que ele trabalhe “as habilidades socioemocionais” dos jovens, enquanto a escola pede “oficinas de disciplina e comportamento”.
Felipe propõe um projeto intitulado “Ocupar a Escola: corpos, espaços e sentidos”, com atividades de coautoria dos estudantes na reorganização dos espaços e regras do recreio, utilizando fotografia, teatro e grafite.
Diante da resistência de parte dos profissionais, que consideram a proposta “muito artística e pouco terapêutica”, qual fundamentação melhor justifica sua pertinência segundo Souza, Borba & Lopes (2024), Folha et al. (2023) e Mecca (2022)?
Uma Secretaria de Educação elabora uma política de apoio escolar que prevê “salas de recursos como espaços terapêuticos”. O texto afirma que a função central desses espaços é “corrigir déficits funcionais antes do retorno à sala comum”. A escola solicita ao Terapeuta Ocupacional que organize “grupos terapêuticos de estimulação” fora da sala regular.
De acordo com Lins et al. (2023), práticas que retiram o aluno da sala comum reforçam a segregação. E, segundo Souza et al. (2024), a Terapia Ocupacional deve atuar como ponte crítica entre políticas públicas e práticas reais.
Qual deve ser a postura técnica do terapeuta ocupacional?
Durante a análise da rotina de uma escola do DF, uma terapeuta ocupacional identifica que crianças imigrantes recém-chegadas não participam das atividades de roda, evitam interações no recreio e se isolam durante atividades de brincadeira livre. As professoras interpretam isso como “timidez” ou “falta de interesse”, mas observações revelam barreiras linguísticas, ausência de mediação cultural e pouca flexibilidade nas regras de participação.
Com base na análise do brincar como prática sociocultural (Folha et al., 2023) e na concepção de escola como espaço de formação cultural e política (Souza et al., 2024), qual deve ser o foco da intervenção do terapeuta ocupacional?