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As transformações societárias na contemporaneidade incidem sobre as relações, as condições e a processualidade do trabalho de assistentes sociais, de tal forma que, para além das tendências de precarização, subemprego, desemprego prolongado, sazonalidade e desregulação dos direitos conquistados, alteram também as requisições institucionais e as bases técnicas, a partir das quais atuam. Tais transformações dizem respeito tanto à sua condição de trabalhador(a), assalariado(a), como de profissional especializado(a) que detém um conjunto de competências e atribuições.


Quais categorias teóricas explicam essa dupla dimensão do trabalho de assistentes sociais frente às transformações aludidas? 

Um dos argumentos que caracteriza a relativa autonomia da/o assistente social no exercício do trabalho profissional pode ser explicado por Iamamoto na reconhecida obra “Relações Sociais e Serviço Social no Brasil” (1985) a partir da seguinte afirmação: 
Matos (2015) levanta reflexões a respeito das atribuições privativas e competências profissionais, destacando as transformações recorrentes sobre as demandas institucionais, afirmando que: “Esses serviços, por sua vez, engendram processos coletivos de trabalho que, nem por isso, deixam de requerer competências profissionais particulares, lembrando que entendemos que o trabalho coletivo expressa uma busca de resposta às necessidades dos(as) usuários(as). Cabe lembrar que esse movimento é contraditório: ao mesmo tempo que pode descaracterizar nossas atribuições privativas, pode também apresentar novas e importantes demandas para a profissão” (p.690). Sendo assim, na contradição deste processo, o autor destaca a importância de não perder de vista a função 
Nos termos de Iamamoto (2009), “O assistente social é proprietário de sua força de trabalho especializada. Ela é produto da formação universitária que o capacita a realizar um ‘trabalho complexo’ (...)” (p.352). Em decorrência, o caráter social desse trabalho assume uma dupla dimensão, enquanto trabalho: 
No debate que Iamamoto apresenta sobre as perspectivas do trabalho cotidiano de assistentes sociais (BRASIL, 2021), apresentam-se inúmeros desafios entre a intencionalidade ético-política crítica e transformadora do projeto profissional e os tensionamentos oriundos das demandas institucionais, marcadas por restrições de recursos e de direitos voltados para população. Diante disso, a autora pergunta se o que ocorre acima trata-se de uma defasagem entre “teoria” e “prática” ou de uma idealização do projeto profissional ou mesmo da incapacidade da/o profissional em responder às requisições profissionais com qualidade. Iamamoto afirma que a existência dessas tensões decorre