Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo. A educação problematizadora se constitui como um processo no qual os sujeitos, ao refletirem criticamente sobre a realidade, tornam-se capazes de intervir nela.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987. Adaptado.

A experiência de Angicos, ocorrida em 1963 no sertão do Rio Grande do Norte, consolidou-se como um dos episódios mais emblemáticos da história da educação brasileira. Sob a coordenação do educador Paulo Freire, o projeto de alfabetização de 300 trabalhadores rurais evidenciou a viabilidade de uma metodologia fundamentada na dialogicidade e na conscientização. O diferencial não estava na repetição de sílabas vazias, mas no uso de palavras geradoras extraídas do próprio cotidiano dos alunos, como "tijolo" e "enxada". A experiência conduzida por Paulo Freire em Angicos demonstrou que a alfabetização de adultos pode ultrapassar a mera decodificação da linguagem escrita ao se constituir como prática de leitura crítica da realidade, permitindo que trabalhadores se reconheçam como sujeitos históricos.

GERMANO, José Willington. As quarenta horas de Angicos. Educação & Sociedade, Campinas, v. 18, n. 59, p. 391–395, ago. 1997. Adaptado.

Considere que um professor de História decide reorganizar sua prática pedagógica com base nos princípios da educação problematizadora de Paulo Freire, substituindo uma abordagem centrada na exposição sistemática de conteúdos.
Nessa perspectiva, a prática pedagógica coerente com essa mudança caracteriza-se, na atuação do professor, por