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O Ensino Religioso não confessional constitui-se como área de conhecimento comprometida com a ética da alteridade, a interculturalidade e os direitos humanos, estudando a diversidade religiosa de forma crítica e laica. Ele se opõe explicitamente ao proselitismo, garante espaço de diálogo entre perspectivas religiosas e seculares e reconhece múltiplas formas de ser, crer e não crer. A Base Nacional Comum Curricular, ao incluir o componente como parte das Ciências Humanas, define objetivos, competências e habilidades que visam à promoção do respeito à diversidade, à liberdade de consciência e ao pluralismo de ideias. Tal perspectiva decorre de um movimento histórico de superação da natureza confessional do ER e de sua consolidação como política pública voltada à convivência democrática em contextos marcados por discursos de ódio e intolerância. Nesse processo, ganham relevância a formação inicial e continuada de docentes em Ciências da Religião, a produção de materiais didáticos e paradidáticos e a multiplicação de pesquisas e eventos acadêmicos que fundamentam, em bases científicas, o ensino sobre religiões na escola.
A partir do texto sobre o Ensino Religioso não confessional e das discussões atuais em torno da Base Nacional Comum Curricular, assinale a alternativa que melhor expressa o sentido dessa área de conhecimento na escola pública brasileira:
Uma escola organizou uma semana temática sobre diversidade cultural. Durante o planejamento, surgiu a proposta de incluir um espaço destinado à apresentação de diferentes tradições religiosas existentes na comunidade local. A discussão entre os professores revelou diferentes compreensões acerca da finalidade pedagógica dessa atividade. Dentro desse contexto, analise as assertivas a seguir:

I. A atividade pode constituir uma oportunidade para compreender diferentes formas de expressão religiosa, desde que sua organização preserve o caráter não confessional do Ensino Religioso e estimule o diálogo fundamentado no respeito à diversidade de convicções.
II. A diversidade religiosa recomenda que a escola substitua conteúdos relacionados às religiões por debates exclusivamente voltados aos direitos humanos, evitando possíveis conflitos decorrentes da manifestação das diferentes crenças.
III.O estudo das diferentes tradições religiosas deve concentrar-se na identificação dos princípios éticos comuns a todas elas, reduzindo a abordagem de suas diferenças doutrinárias para preservar a neutralidade da atividade escolar.

Quais estão corretas?
Em uma situação hipotética, um grupo de professores discutiu como organizar uma sequência didática sobre textos sagrados para turmas compostas por estudantes pertencentes a diferentes tradições religiosas, além de alunos sem filiação religiosa. A partir desse contexto e dentro dos pressupostos expressos na legislação brasileira acerca do componente curricular de Ensino Religioso na Educação Básica, assinale a alternativa que apresenta a proposta com maior coerência.
A consolidação do Ensino Religioso como componente curricular implicou mudanças significativas em seu objeto de estudo. Nessa perspectiva, a área passou a compreender as religiões como manifestações produzidas por diferentes grupos humanos ao longo da história, organizadas em contextos sociais, culturais e simbólicos específicos. Consequentemente, o trabalho pedagógico desloca-se da transmissão de doutrinas para a compreensão do ____________________, utilizando procedimentos investigativos próprios das ____________________.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima. 
Hans-Jürgen Greschat, em sua obra “O que é ciência da religião?”, propõe uma distinção fundamental entre a atuação do teólogo e a do cientista da religião no que se refere ao estudo do fenômeno religioso. O autor estabelece critérios que demarcam as especificidades de cada campo do saber, considerando aspectos como pertencimento institucional, finalidade da pesquisa, relação com a tradição religiosa e critérios de validação do conhecimento. Considerando o que o autor defende na referida obra (conforme apresentado no capítulo de Afonso Maria Ligorio Soares), analise as afirmações a seguir:
I. Greschat sustenta que os teólogos investigam a religião à qual pertencem, enquanto os cientistas da religião geralmente se ocupam de religiões diferentes da sua própria. Nessa perspectiva, a principal finalidade da teologia seria proteger e enriquecer sua tradição religiosa de origem, ao passo que os cientistas da religião não prestam serviço institucional a nenhuma instância religiosa superior.
II. O autor afirma que os cientistas da religião gozam de um arco potencialmente ilimitado na escolha da religião a que se dedicarão, sendo constrangidos apenas pela própria incompetência técnica. Em contrapartida, os teólogos estariam “condenados” a conhecer em profundidade apenas sua própria religião, somente se abrindo a outras tradições em caso de necessidade estrita de pesquisa comparada.
III. Segundo Greschat, para que uma descrição acadêmica de uma determinada fé seja considerada válida do ponto de vista da história da religião, é necessário consultar os fiéis daquela crença, pois serão eles a informar se o pesquisador compreendeu adequadamente sua experiência religiosa. Os teólogos, por sua vez, fariam seu discernimento partindo da própria fé como norma decisiva, considerando falso tudo o que se afastar desse critério. 
IV. Greschat argumenta que teólogos e cientistas da religião contam com diferentes formas de, eventualmente, distorcer seu objeto de estudo. Os primeiros estariam sujeitos a distorções decorrentes de preconceitos religiosos e compromissos confessionais, enquanto os segundos estariam imunes a qualquer tipo de distorção, uma vez que sua abordagem metodológica garante completa neutralidade e objetividade científica. 
V. O autor defende que, embora a teologia e a ciência da religião partilhem o mesmo objeto formal — o fenômeno religioso —, suas abordagens são radicalmente heterogêneas e incompatíveis, sendo impossível qualquer diálogo fecundo entre ambas, pois a primeira opera com critérios normativos e confessionais, enquanto a segunda exige um “ateísmo metodológico” que suspende qualquer juízo sobre a verdade das crenças estudadas.
Considerando as formulações atribuídas a Greschat (conforme apresentadas no texto de Afonso Maria Ligorio Soares) e após análise das afirmações, conclui-se que estão corretas: