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I - O ensino da língua opera com uma sucessão de reduções: língua, norma e gramática. II - A gramática é entendida como uma série de regras de funcionamento mecânico que devem ser seguidas à risca para dar um resultado perfeito e admissível. III - Por causa da concepção reducionista do ensino em língua, norma e gramática, como uma abstração arrancada de sua realidade social, histórica e cultural, é que podemos afirmar que existe uma distância muito grande entre as regras gramaticais descritas e prescritas pela norma-padrão tradicional.
I - Podemos afirmar que a fonética descreve a pronúncia efetiva dos sons da língua entre os falantes. Já a fonologia extrai dessas pronúncias uma estrutura abstrata que permite organizar os sons da língua. II - Podemos sintetizar as diferenças entre fonética e fonologia na dicotomia saussuriana entre língua e fala. Dessa forma, a fonética estaria ao lado da língua; a fonologia, ao lado da fala. III - A separação entre fonética e fonologia permite prever que, ao lado do fonema abstrato e invariante, suas realizações fonéticas podem apresentar, ao contrário, variantes. Isso nos permitiria saber se essas diferentes realizações são explicáveis por variáveis sociais ou se, ao contrário, permitem estruturar o grupo social.
I - As mudanças destacadas podem ser classificadas como variáveis geográficas, que são aquelas que podem ter pronúncias e léxicos iguais em diferentes pontos de território. II - Essas variáveis podem ter um sentido social, quando, em um mesmo ponto do território, uma diferença linguística é mais ou menos isomorfa de uma diferença social. III - Podemos entender por variável, o conjunto constituído pelos diferentes modos de realizar a mesma coisa (como um fonema, um signo); e por variante, cada uma das formas de realizar a mesma coisa.
TEXTO II
Hamlet
Hamlet diante do abismo
deveria ter dito como o outro de Shakespeare:
"To be or not to be - that is the question".
Mas este Hamlet do meu poema
jogou o chapéu pra trás, engoliu em seco
e articulou:
"Mas que buracão, meu Deus do Céu!".
É que este Hamlet do meu poema
é analfabeto,
trabalha na estiva,
é filho da minha lavadeira,
nada tem com Shakespeare
e só é Hamlet por acaso.
Gervásio Leite. Disponível em: http://www.academiadeletrasmt.com.br/ revista-aml/obras-digitalizadas/262-antologia-poetica-mato-grossense
No texto "Hamlet", os verbos "deveria" (1ª estrofe,
verso 2), "engoliu" (1ª estrofe, verso 5), "é" (2ª estrofe,
verso 2) e "tem" (2ª estrofe, verso 5) estão conjugados,
respectiva mente, no: