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A arqueóloga brasileira Niède Guidon (1933–2025) foi responsável, no Brasil, por questionar e transformar a teoria tradicional do povoamento do continente americano, propondo que esse processo ocorreu muito antes do modelo do Estreito de Bering. Sua contribuição para a ciência arqueológica foi fundamental para modificar a forma como pesquisas arqueológicas, genéticas e geológicas compreendem a presença humana ao longo do processo histórico. Guidon ampliou o debate sobre a ocupação das Américas, desafiando modelos interpretativos lineares e abrindo espaço para múltiplas hipóteses migratórias. Com isso, enquanto algumas teorias sugerem rotas terrestres, outras apontam possibilidades marítimas, e novas descobertas arqueológicas têm reposicionado cronologias consideradas consolidadas no século XX.

Figura 1. Pintura rupestre na Serra da Capivara. Registro da presença pré-histórica no Brasil. Arquivo Pessoal.
Com base nesse debate científico, leia as afirmativas abaixo, sinalizando (V) para verdadeira e (F) para falsa. Em seguida, marque a alternativa correspondente:
( ) A expansão das geleiras durante a última Era Glacial alterou significativamente o nível dos oceanos, permitindo o surgimento de passagens terrestres, como a Beríngia, que pode ter facilitado o deslocamento de grupos humanos da Ásia para o continente americano.
( ) As pesquisas científicas realizadas ao longo das últimas décadas consolidaram um consenso definitivo entre arqueólogos e historiadores, de modo que não existem divergências relevantes quanto às rotas e ao período de chegada dos primeiros humanos às Américas.
( ) Ao fixarem-se no continente americano, os primeiros grupos humanos desenvolveram imediatamente práticas agrícolas estruturadas, centradas em cultivos complexos como a cana-de-açúcar e o café, o que garantiu estabilidade alimentar desde as primeiras ocupações.
( ) Estudos recentes sugerem que diferentes regiões do continente americano podem ter sido ocupadas em momentos distintos, indicando um processo migratório mais complexo do que a hipótese tradicional baseada exclusivamente na travessia pelo Estreito de Bering.
( ) Evidências arqueológicas demonstram que a subsistência inicial dos primeiros habitantes das Américas estava baseada em atividades como a caça de grandes animais, coleta e pesca, muito antes do desenvolvimento de qualquer forma de agricultura sistemática.
Marque a alternativa correspondente à sequência correta assinalada acima:
O desenvolvimento da historiografia ao longo do século XX ampliou os campos temáticos e metodológicos da pesquisa histórica. A partir da renovação promovida por movimentos como a Escola dos Annales, surgiram novas áreas de investigação que dialogam com outras ciências, exploram temas antes considerados secundários e problematizam os limites entre fontes, narrativas e objetos de estudo. Nesse contexto, a diversidade historiográfica contemporânea evidencia múltiplas especializações, interações disciplinares e abordagens culturais, sociais e materiais do passado. Considerando esse cenário e o enunciado, analise as afirmativas abaixo e, em seguida, marque a alternativa correta:
I. A História das Mentalidades, a História do Imaginário e a História Antropológica são vertentes que, ao longo do século XX, se desenvolveram a partir e para além da História Cultural.
II. Algumas abordagens historiográficas surgem do diálogo com outros campos disciplinares, como no caso da Geohistória, resultante da interface entre História e Geografia.
III. A historiografia contemporânea mantém o foco predominante nas fontes oficiais e narrativas tradicionais, pois busca compreender o passado sem ampliar o repertório de testemunhos ou perspectivas sociais.
IV. A História da Cultura Material originou-se parcialmente da História Econômica voltada ao consumo, conectando-se mais tarde aos interesses da História Cultural e às discussões sobre vida cotidiana.
Durante muito tempo, os estudos sobre a Pré-História foram guiados por modelos interpretativos que buscavam explicar a trajetória humana como uma evolução linear e universal, baseada em etapas fixas como caça, agricultura e domesticação de animais. No entanto, pesquisas arqueológicas recentes, aliadas a áreas como genética, antropologia e paleoclimatologia, têm demonstrado que os processos culturais e tecnológicos foram diversos, complexos e nem sempre ocorreram da mesma forma em diferentes regiões do planeta.
Considerando essas novas abordagens interpretativas, qual afirmação expressa uma perspectiva contemporânea sobre a compreensão das culturas pré-históricas?
Nas últimas décadas, novas abordagens historiográficas renovaram os modos de produzir conhecimento histórico, questionando modelos explicativos amplos e privilegiando perspectivas mais sensíveis às experiências individuais, às subjetividades e às narrativas fragmentadas. No texto apresentado, Carlo Ginzburg é citado como um dos principais responsáveis pela formulação de um paradigma interpretativo baseado na análise de vestígios, sinais e indícios, aproximando o trabalho do historiador do método investigativo.
Essa metodologia, que se consolidou especialmente na Itália a partir da década de 1970 e influenciou fortemente a produção historiográfica no Brasil e na América Latina, ficou conhecida como:
No dia 20 de julho de 2019, a jornalista Thatiany Nascimento publicou, no portal G1, a matéria intitulada Campo de concentração onde “flagelados da seca” eram aprisionados é tombado no Ceará. A reportagem informa sobre o tombamento do imóvel que havia se tornado patrimônio histórico-cultural no município de Senador Pompeu, localizado na mesorregião dos sertões cearenses. Disponível em: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2019/07/20/campo-de-concentracao-onde-flagelados-da-seca-eram-aprisionados-e-tombado-no-ceara.ghtml. Acesso em 20 out.2025.
Em 22 de setembro de 2025, cinco anos depois, o jornalista Mateus Mota publicou, no jornal O Povo, a reportagem especial A história apagada das secas e da urbanização de Fortaleza, na qual apresentou um apanhado histórico referente ao período entre 1915 e 1932, quando o Estado do Ceará instalou campos de concentração para afastar milhares de sertanejos afetados pela seca, os confinando em locais como Senador Pompeu, Fortaleza, Crato, Ipu, Quixeramobim e Cariús. Destaca-se, nessa última reportagem, a impactante afirmação sobre condicionamentos, subordinação e autoritarismo no processo de urbanização da capital cearense: “Entre secas, migrações e campos de concentração, Fortaleza foi construída e habitada por uma multidão de migrantes, que vieram ao litoral fugindo dos efeitos devastadores da estiagem. Hoje, a memória se distanciou desses retirantes, mas o legado histórico deles continua vivo nas paredes que ajudaram a levantar e nas comunidades que surgiram com seus descendentes.” Disponível em: https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/campos-de-concentracao-ceara/2025/09/22/a-historia-apagada-das-secas-e-da-urbanizacao-de-fortaleza.html. Acesso em 10 nov.2025.
Em 2019, as ruínas desses campos foram tombadas como patrimônio histórico-cultural municipal, o que motivou discussões sobre apagamento de memórias, construção identitária e o papel da escola no reconhecimento dessas práticas autoritárias. As condições nos campos eram precárias, marcadas por escassez alimentar, falta de infraestrutura e alta incidência de doenças.

Figura 3. Campo de concentração tombado patrimônio histórico-cultural em Senador Pompeu. Fotografia. Camila Lima/ SVM
Considerando o contexto da história regional, do ensino de História e da preservação da memória social e do patrimônio histórico material, marque a alternativa CORRETA.