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Eu estava no meu quarto após o almoço, lendo o capítulo V da Epístola de Tiago porque eu ia falar das raízes bíblicas da unção dos doentes durante a hora da família, quando ouvi os sons. Pancadas pesadas e rápidas na porta talhada à mão do quarto dos meus pais. Imaginei que a porta estava emperrada e que Papa estivesse tentando abri-la. Se imaginasse aquilo sem parar, talvez virasse verdade. Eu me sentei, fechei os olhos e comecei a contar. Contar fazia o tempo passar um pouco mais rápido, fazia com que não fosse tão ruim. Às vezes, acabava antes de eu chegar ao número vinte. Eu já estava no dezenove quando o som parou. Ouvi a porta se abrindo. Os passos de Papa na escada pareceram mais pesados, mais desajeitados do que o normal.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Hibisco Roxo. São Paulo: Companhia das Letras,2011, p.39.

No trecho, a expressão “à mão” em “porta talhada à mão” apresenta acento grave indicativo de crase. Nesse contexto, seu uso se justifica pela(o)
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Leia o texto a seguir.

De manhã, a luz ainda não tinha voltado. A nossa sorte mesmo é que o sol aparece todos os dias de manhã bem luminoso, e cedo, na hora que os galos gostam de acordar e minha avó também, minutos antes das seis da manhã, às vezes a essa hora também vem água e a minha avó pode regar as plantas com uma água assim verdadeira.
ONDJAKI. A bicicleta que tinha bigodes. Rio de Janeiro: Pallas,2015, p.67.

No trecho, o narrador apresenta indícios das condições de vida no local onde mora.

Assinale a expressão que permite inferir a irregularidade no acesso a serviços básicos, indicando uma situação de precariedade.
Leia o texto a seguir.

Eu ri com amargura. "Quero dizer: você acredita sinceramente que alguma de nós merece perdão?" Minha mãe me encarou. Eu não sabia como funcionava sua mente e me perguntei se ela sentia tanta culpa quanto eu. Sei que compartilhava a dor. Quando voltou a falar, foi em tom baixo e insistente. "Mereço a felicidade", disse. "Não fiz nada errado. E você também não." Descemos a escada e disse a mim mesma ao sair à rua: agora estão escrevendo sobre todos os campos de extermínio, grandes e pequenos. Que mundo nós havíamos criado, as famílias como a minha.
Adaptado de BOYNE, John. Por lugares devastados. São Paulo: Companhia das Letras,2023, p.82.

No trecho, são utilizadas diferentes formas de apresentação da fala e do pensamento das personagens.

Com base nisso, assinale a afirmativa que analisa corretamente os efeitos de sentido dessas escolhas no texto.
Leia a resenha crítica a seguir.

“Viva o povo brasileiro”, obra de João Ubaldo Ribeiro, vencedor do prêmio Jabuti, em 1984, é um dos mais importantes romances surgidos na literatura brasileira no século XX. O livro que todo(a) brasileiro(a) deveria ler para compreender a formação do nosso povo, da nossa identidade cultural. Trata-se de uma exuberante e complexa metáfora da formação de nossa identidade nacional, é obra monumental que já nasceu clássica, instaurando novo olhar ficcional sobre o passado do Brasil. A violência física e simbólica, os abismos sociais e os privilégios que os acentuam, a constituição de uma elite autoritária são encenados ao longo desta narrativa polifônica e lírica, muitas vezes irônica, que cobre quatrocentos anos de história. Poucas obras atingiram esse mesmo nível de complexidade, e pouquíssimas alcançaram êxito semelhante ao de “Viva o povo brasileiro”.
https://www.revistaprosaversoearte.com/joao-ubaldo-ribeiro-viva-o-povo-brasileiro adaptado.

Com base no texto, assinale a afirmativa que identifica corretamente a função predominante da resenha apresentada.
Leia o texto a seguir, extraído do monólogo “O céu da Língua”, de Gregório Duvivier:

Minha filha fala “papato”. E eu sei que em algum momento ela vai deixar de falar papato. Sem me avisar, ela vai passar a falar sapato. E é um caminho sem volta. Tenho vontade de combinar com todo o mundo à volta dela, com a mãe, e as avós, e a escola, de ninguém nunca falar a palavra Sapato perto dela. Sim, eu queria fazer um cordão sanitário pra palavra papato. Mas logo eu lembro que não é fácil a vida da mulher de quarenta anos que fala “papato”. Então eu digo pra minha filha, com o coração apertado: “bota o sapato. É sapato”. Mesmo sabendo que eu to matando uma coisa preciosa dentro dela.
DUVIVIER, Gregório. O céu da Língua. Rio de Janeiro, Paddock,2025, p.9.

Considerando o contexto, assinale a afirmativa que interpreta corretamente o sentido da expressão “cordão sanitário” no texto.