Filtrar


Questões por página:

Durante o acompanhamento fonoaudiológico de uma paciente idosa com perda auditiva neurossensorial de grau severo bilateral e histórico de aproximadamente dez anos sem tratamento, uma fonoaudióloga realizou avaliação audiológica, adaptação e acompanhamento terapêutico com aparelhos auditivos, incluindo regulagens periódicas e orientações quanto ao uso, adaptação e limitações inerentes ao processo de reabilitação auditiva após longo período de privação sensorial.


Apesar das diversas intervenções clínicas e esclarecimentos técnicos, a acompanhante da paciente passou a apresentar comportamento recorrente de conflito com a profissional, realizando contatos insistentes fora do horário de atendimento, inclusive durante a madrugada, finais de semana e feriados, enviando mensagens ofensivas, realizando testes telefônicos e exigindo repetidas trocas de aparelhos auditivos por modelos superiores aos originalmente adquiridos, mesmo diante de avaliações técnicas que indicavam funcionamento adequado dos dispositivos.


Além disso, a acompanhante passou a proferir ofensas pessoais à profissional, provocar discussões na recepção da clínica e realizar publicações e comentários depreciativos nas redes sociais direcionados à fonoaudióloga. Mesmo após diversas tentativas de resolução das queixas incluindo ajustes técnicos, trocas de dispositivos, orientações reiteradas, suporte da empresa fornecedora e novos atendimentos de acompanhamento, o comportamento conflituoso persistiu.


Diante do desgaste da relação terapêutica, e após documentar todas as condutas em prontuário, a fonoaudióloga decidiu encerrar o acompanhamento da paciente, mesmo com os aparelhos ainda dentro do período de garantia oferecido pelo fornecedor, orientando que o seguimento fosse realizado por outro profissional indicado pela empresa responsável pelos dispositivos.


Considerando o Código de Ética da Fonoaudiologia, analise as assertivas a seguir:


I- A interrupção do atendimento pode ser eticamente admissível quando houver motivo justificável, desde que o profissional atue com responsabilidade e registre adequadamente a decisão, conforme previsto nas relações com o cliente.


II- A conduta da fonoaudióloga está em consonância com o dever ético de registrar todos os atendimentos, orientações e intercorrências no prontuário, garantindo a documentação do processo terapêutico e das decisões clínicas.


III- Considerando que os aparelhos auditivos ainda se encontravam dentro do prazo de garantia oferecido pela empresa fornecedora, a profissional seria obrigada a manter o acompanhamento da paciente até o término desse período, independentemente do desgaste da relação terapêutica.


IV- A postura de fornecer informações claras e reiterar orientações sobre uso, adaptação e limitações dos aparelhos auditivos atende ao dever ético de esclarecimento ao cliente acerca do diagnóstico, prognóstico e evolução do tratamento.


V- Diante de reiteradas queixas e insatisfação da família com o tratamento realizado, a fonoaudióloga deveria suspender as intervenções clínicas até que houvesse definição formal da empresa responsável pelos dispositivos acerca da continuidade do caso.


É CORRETO o que se afirma apenas em:

Um estudo realizado por Santos et al. (2021) demonstrou que, nas últimas décadas, a implementação de políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS), como a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (Portaria nº 2.073/2004) e a instituição da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (Portaria nº 793/2012), ampliou o acesso da população aos serviços de diagnóstico e reabilitação relacionados à comunicação humana e esse processo contribuiu significativamente para a expansão da atuação da Fonoaudiologia no sistema público.


Fonte: SANTOS, Paula Carine et al. Gastos públicos em serviços ambulatoriais de Fonoaudiologia no Brasil entre 2009 e 2018: bases de dados do DATASUS. Audiology Communication Research, v.26, e2479,2021.



A partir desse contexto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.


I- No Sistema Único de Saúde, a atuação do fonoaudiólogo é frequentemente associada aos serviços especializados de média complexidade, uma vez que as ações relacionadas à comunicação humana se concentram principalmente em atividades de diagnóstico e reabilitação ambulatorial.


PORQUE


II- As políticas públicas de saúde ampliaram a inserção da Fonoaudiologia em diferentes níveis de atenção do SUS, incluindo ações de promoção, prevenção, diagnóstico e reabilitação desenvolvidas em serviços ambulatoriais e em equipes multiprofissionais.


A respeito dessas asserções, é CORRETO afirmar que:

A organização da assistência à saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) baseia-se em redes de atenção e políticas públicas que articulam diferentes níveis de cuidado, visando a ampliar o acesso da população aos serviços de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação.


De acordo com estudo de Santos et al. (2021), no campo da Fonoaudiologia, a expansão das políticas públicas relacionadas à saúde auditiva, à reabilitação e ao cuidado integral tem contribuído para o crescimento da inserção do fonoaudiólogo nas equipes multiprofissionais do SUS, atuando desde a atenção básica até serviços especializados.


Fonte: SANTOS, Paula Carine et al. Gastos públicos em serviços ambulatoriais de Fonoaudiologia no Brasil entre 2009 e 2018: bases de dados do DATASUS. Audiology Communication Research, v.26, e2479,2021.

Ainda pensando sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o qual se caracteriza por alterações na comunicação social e na linguagem, percebe-se que o transtorno pode envolver dificuldades na interação, no uso funcional da linguagem e na construção de significados nas relações sociais.


Considerando princípios de intervenção fonoaudiológica voltados à estimulação da linguagem em crianças com TEA, é CORRETO afirmar que:

Um estudo realizado por Oliveira, Silva e Oliveira (2015) ressaltou que a atuação do fonoaudiólogo no acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculadas na escola regular frequentemente exige articulação entre os contextos clínico, familiar e educacional, visando a favorecer o processo de inclusão escolar e o desenvolvimento da comunicação.


Fonte: OLIVEIRA, Camila Cunha de; SILVA, Heloisa Helena Motta Bandini da; OLIVEIRA, Raquel Gusmão. Autismo e escola: os (des)encontros entre a clínica e a escola. Distúrbios da Comunicação, São Paulo, v.27, n.3, p.493-504,2015.



Considerando princípios da atuação fonoaudiológica no campo educacional nesse contexto, analise as assertivas a seguir.


I- O fonoaudiólogo atua como mediador importante entre família, escola e equipe clínica, favorecendo a construção de estratégias conjuntas que apoiem o processo de inclusão escolar da criança.


II- A intervenção fonoaudiológica voltada à criança com TEA no contexto educacional deve restringir-se ao treinamento articulatório e fonético, evitando interferência em aspectos interacionais da comunicação.


III- A interlocução entre clínica e escola visa à fundamentar a atuação do fonoaudiólogo no papel de reforço escolar especializado para contribuir com as práticas pedagógicas desenvolvidas na escola.


IV- A inclusão escolar de crianças com TEA pode ser favorecida quando há compartilhamento de informações entre profissionais da saúde e da educação acerca das necessidades comunicativas da criança.


V- O trabalho do fonoaudiólogo no contexto educacional deve ocorrer de forma independente das ações pedagógicas da escola, para evitar interferências no processo de ensino.


É CORRETO o que se afirma apenas em: