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Leia o trecho a seguir.
A sentença “sinto dor” torna-se o canal pelo qual posso sair da inexprimível privacidade e asfixia da minha dor. Isso não significa que eu seja compreendida. Wittgenstein usa o caminho de uma gramática filosófica para dizer que essa não é uma afirmação indicativa, embora possa ter a aparência formal de uma. É o começo de um jogo de linguagem. A dor nessa interpretação não é aquela coisa inexprimível que destrói a comunicação ou marca uma saída da existência da pessoa na linguagem. Em vez disso, ela faz uma reivindicação ao outro, pedindo reconhecimento que pode ser dado ou negado.
Adaptado de DAS, Veena. Vida e palavras: A violência e sua descida ao ordinário. São Paulo: Editora Unifesp,2020, p.60.
Com base no trecho, é correto afirmar que a linguagem
A sentença “sinto dor” torna-se o canal pelo qual posso sair da inexprimível privacidade e asfixia da minha dor. Isso não significa que eu seja compreendida. Wittgenstein usa o caminho de uma gramática filosófica para dizer que essa não é uma afirmação indicativa, embora possa ter a aparência formal de uma. É o começo de um jogo de linguagem. A dor nessa interpretação não é aquela coisa inexprimível que destrói a comunicação ou marca uma saída da existência da pessoa na linguagem. Em vez disso, ela faz uma reivindicação ao outro, pedindo reconhecimento que pode ser dado ou negado.
Adaptado de DAS, Veena. Vida e palavras: A violência e sua descida ao ordinário. São Paulo: Editora Unifesp,2020, p.60.
Com base no trecho, é correto afirmar que a linguagem
Leia o caso a seguir.
Uma big tech desenvolveu um sistema de reconhecimento de imagens integrado a carros autônomos, com base em parâmetros técnicos que sugerem neutralidade e posteriormente adotado por outras empresas do setor. O sistema, ao ser submetido a testes em condições de circulação, apresentou desempenho desigual, com menor acurácia na identificação de pessoas negras. Esse resultado levantou preocupações quanto à confiabilidade e aos riscos implicados em sua aplicação.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre como o racismo algorítmico se manifesta no caso descrito.
I. A alegada neutralidade da linguagem técnica dos sistemas não impede que os efeitos das escolhas realizadas em seu desenvolvimento reproduzam formas veladas de racismo algorítmico.
II. A inferior acurácia na identificação de pessoas negras revela a presença de vieses raciais no sistema, o qual estabelece a branquitude como parâmetro normativo de referência.
III. O desempenho desigual do sistema implica efeitos sociotécnicos diferenciados, pois expõe grupos raciais de maneira desigual a riscos e erros operacionais e compromete a equidade de sua aplicação.
Está correto o que se afirma em
Uma big tech desenvolveu um sistema de reconhecimento de imagens integrado a carros autônomos, com base em parâmetros técnicos que sugerem neutralidade e posteriormente adotado por outras empresas do setor. O sistema, ao ser submetido a testes em condições de circulação, apresentou desempenho desigual, com menor acurácia na identificação de pessoas negras. Esse resultado levantou preocupações quanto à confiabilidade e aos riscos implicados em sua aplicação.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre como o racismo algorítmico se manifesta no caso descrito.
I. A alegada neutralidade da linguagem técnica dos sistemas não impede que os efeitos das escolhas realizadas em seu desenvolvimento reproduzam formas veladas de racismo algorítmico.
II. A inferior acurácia na identificação de pessoas negras revela a presença de vieses raciais no sistema, o qual estabelece a branquitude como parâmetro normativo de referência.
III. O desempenho desigual do sistema implica efeitos sociotécnicos diferenciados, pois expõe grupos raciais de maneira desigual a riscos e erros operacionais e compromete a equidade de sua aplicação.
Está correto o que se afirma em
Leia o trecho a seguir.
Se nossa impressão pode apoiar-se não somente sobre nossa lembrança, mas também sobre a de outros, nossa confiança na exatidão de nossa evocação será maior, como se uma mesma experiência fosse começada, não somente pela mesma pessoa, mas por várias.
Adaptado de HALBWACHS, M. A Memória coletiva. São Paulo: Vértice/Revista dos Tribunais,1990, p.25.
Com base no trecho, assinale a opção que expressa corretamente a concepção de memória em Halbwachs.
Se nossa impressão pode apoiar-se não somente sobre nossa lembrança, mas também sobre a de outros, nossa confiança na exatidão de nossa evocação será maior, como se uma mesma experiência fosse começada, não somente pela mesma pessoa, mas por várias.
Adaptado de HALBWACHS, M. A Memória coletiva. São Paulo: Vértice/Revista dos Tribunais,1990, p.25.
Com base no trecho, assinale a opção que expressa corretamente a concepção de memória em Halbwachs.
Leia os trechos a seguir.
I. O termo Antropoceno mantém uma distância produtiva em relação à ideia de “Homem”, que é uma construção moderna. “Homem” não significa apenas humanos, mas um tipo específico de ser formulado pelo Iluminismo e por processos de modernização e regulação estatal. Foi esse “Homem” que produziu o estado atual do mundo. Incorporar essa dimensão no termo Antropoceno pode permitir refletir sobre a contradição de buscar soluções no mesmo agente que produziu os problemas. Compartilho das preocupações quanto ao Antropoceno como uma forma de arrogância de que o mundo atual seria resultado da ação de uma única espécie. Ao mesmo tempo, o conceito contém uma contradição produtiva que pode ser explorada. Justamente por ainda ser múltiplo e indefinido, o Antropoceno mantém um potencial.
Adaptado de TSING, Anna. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, vol.81:3,2016, p.541.
II. Designar o período atual como Antropoceno significa dizer a todas as demais disciplinas que a tarefa de articular “antropologia física” e “antropologia cultural” já não é mais exclusiva da antropologia. Todos estão agora convergindo para enfrentar a mesma experiência que a antropologia vivenciou desde o início do século XIX: como fazer coexistir ossos e divindades. Poder-se-ia objetar que não há motivo para entusiasmo diante da repetição do antigo e desgastado embate entre dimensões “físicas” e “sociais” na definição da evolução e da existência humana. Concordo. No entanto, o conceito de Antropoceno introduz um terceiro elemento com potencial para subverter esse quadro: ao afirmar que a agência humana se tornou a principal força geológica que molda a Terra, coloca-se a questão da responsabilidade.
Adaptado de LATOUR, Bruno. Anthropology at the Time of the Anthropocene - a personal view of what is to be studied. Lecture in American Association of Anthropologists,2014, pp.3-4.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente as interpretações dos autores sobre o conceito de Antropoceno.
I. O termo Antropoceno mantém uma distância produtiva em relação à ideia de “Homem”, que é uma construção moderna. “Homem” não significa apenas humanos, mas um tipo específico de ser formulado pelo Iluminismo e por processos de modernização e regulação estatal. Foi esse “Homem” que produziu o estado atual do mundo. Incorporar essa dimensão no termo Antropoceno pode permitir refletir sobre a contradição de buscar soluções no mesmo agente que produziu os problemas. Compartilho das preocupações quanto ao Antropoceno como uma forma de arrogância de que o mundo atual seria resultado da ação de uma única espécie. Ao mesmo tempo, o conceito contém uma contradição produtiva que pode ser explorada. Justamente por ainda ser múltiplo e indefinido, o Antropoceno mantém um potencial.
Adaptado de TSING, Anna. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, vol.81:3,2016, p.541.
II. Designar o período atual como Antropoceno significa dizer a todas as demais disciplinas que a tarefa de articular “antropologia física” e “antropologia cultural” já não é mais exclusiva da antropologia. Todos estão agora convergindo para enfrentar a mesma experiência que a antropologia vivenciou desde o início do século XIX: como fazer coexistir ossos e divindades. Poder-se-ia objetar que não há motivo para entusiasmo diante da repetição do antigo e desgastado embate entre dimensões “físicas” e “sociais” na definição da evolução e da existência humana. Concordo. No entanto, o conceito de Antropoceno introduz um terceiro elemento com potencial para subverter esse quadro: ao afirmar que a agência humana se tornou a principal força geológica que molda a Terra, coloca-se a questão da responsabilidade.
Adaptado de LATOUR, Bruno. Anthropology at the Time of the Anthropocene - a personal view of what is to be studied. Lecture in American Association of Anthropologists,2014, pp.3-4.
Com base nos trechos, assinale a opção que apresenta corretamente as interpretações dos autores sobre o conceito de Antropoceno.
Leia o trecho a seguir.
Pode-se acreditar no mundo das ideias platônicas. Nesse caso, o pluralismo jurídico, como o monismo, existe em algum lugar, para além de nossas próprias escolhas subjetivas. Ou então, tal como eu, pode-se ser partidário de teorias realistas do direito. O direito é deste mundo, e a norma se torna o que os homens fazem em sua vida concreta. Isso significa que o pluralismo jurídico é um instrumento. Por razões históricas, a antropologia jurídica nasceu do fenômeno colonial, com relações com os povos nativos. Os primeiros antropólogos do direito estudaram os costumes e pretenderam reconhecer a existência de vários “sistemas de direito”. Digamos que o pluralismo jurídico está do lado dos dominados. Inversamente, os defensores de um Estado forte e centralizador estão do lado do monismo jurídico. Isso quer dizer que essas escolhas teóricas são também escolhas políticas.
Adaptado FILHO, Orlando. Entrevista com Norbert Rouland. Revista de Direito. Mackenzie, v.12, n.2,2018, p.21.
Com base no trecho, é correto afirmar que a Antropologia Jurídica
Pode-se acreditar no mundo das ideias platônicas. Nesse caso, o pluralismo jurídico, como o monismo, existe em algum lugar, para além de nossas próprias escolhas subjetivas. Ou então, tal como eu, pode-se ser partidário de teorias realistas do direito. O direito é deste mundo, e a norma se torna o que os homens fazem em sua vida concreta. Isso significa que o pluralismo jurídico é um instrumento. Por razões históricas, a antropologia jurídica nasceu do fenômeno colonial, com relações com os povos nativos. Os primeiros antropólogos do direito estudaram os costumes e pretenderam reconhecer a existência de vários “sistemas de direito”. Digamos que o pluralismo jurídico está do lado dos dominados. Inversamente, os defensores de um Estado forte e centralizador estão do lado do monismo jurídico. Isso quer dizer que essas escolhas teóricas são também escolhas políticas.
Adaptado FILHO, Orlando. Entrevista com Norbert Rouland. Revista de Direito. Mackenzie, v.12, n.2,2018, p.21.
Com base no trecho, é correto afirmar que a Antropologia Jurídica