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Antigamente, muitos coletivos indígenas sentiam vergonha de sêlo. Agora “todo mundo quer ser índio”. Antigamente, os especialistas no “processo histórico” diziam que a “condição camponesa” era o devir histórico inexorável e, portanto, a verdade das sociedades indígenas supunha um “modelo “a-histórico”. Mas os índios começam a reivindicar e terminam por obter o reconhecimento constitucional de um estatuto diferenciado permanente dentro da chamada “comunhão nacional”. E então, eles implementam ambiciosos projetos de retradicionalização marcados por um autonomismo “culturalista” que, por instrumentalista e etnicizante, não é menos primordialista nem menos naturalizante. Algumas comunidades rurais do país estão reassumindo sua condição indígena, em um processo de transfiguração étnica.

Adaptado de Entrevista de Eduardo Viveiros de Castros concedida à edição do livro Povos Indígenas no Brasil, Instituto Socioambiental (ISA),2006.
Com base no trecho, é correto afirmar que ser indígena é
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A relação de estranheza entre as chamadas sociedades subdesenvolvidas e a civilização mecânica consiste sobretudo no fato de nelas encontrar o seu próprio produto, ou, mais precisamente, a contrapartida da destruição que ela instaurou para estabelecer sua própria realidade. Ao enfrentar os problemas da industrialização nos países subdesenvolvidos, a civilização ocidental encontrou ali, pela primeira vez, a imagem distorcida, como se congelada por séculos, da destruição que teve que operar para existir.

Adaptado de LÉVI-STRAUSS, Claude. Anthropologie structurale. Paris: Plon,1958.

Com base no trecho, é correto afirmar que a construção da identidade cultural é marcada por
Leia o trecho a seguir.

Os interesses imperiais da antropologia aplicada anglo-saxã não significam que devamos excluir qualquer ideia de aplicação antropológica da problemática concernente às minorias. Ao contrário, significa que este tipo de intervenção não pode ser encarado sem questionar a própria situação minoritária e sem se situar no campo político que a constitui. Deve-se considerar o peso das responsabilidades éticas do antropólogo diante das ameaças que as políticas de “modernização” e “abertura” impõem à dignidade social. Por ética antropológica entendo aqui o engajamento em enunciar o impensado e em se contrapor aos efeitos perversos dessas políticas no cerne das relações e das situações sociais concretas em que se constrói a prática antropológica, e não uma simples adesão genérica ao humanitarismo vitimista convencional.

Adaptado de ALBERT, Bruce. Antropologia aplicada ou “antropologia implicada”? Etnografia, minorias e desenvolvimento. Revista de @ntropologia da UFSCar,14 (2), 2022 p.199.

Com base no trecho, assinale a opção que apresenta corretamente a concepção do autor sobre a Antropologia aplicada.
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Leia os trechos a seguir.

I. Quando praticada por membros da cultura que se propõe estudar, a antropologia perde sua natureza específica e se torna semelhante à arqueologia e história. Pois a antropologia é a ciência da cultura vista de fora e, por isso, a primeira preocupação das pessoas conscientes de sua existência e originalidade deve ser reivindicar o direito de se observar a si mesmas, de dentro. A antropologia sobreviverá num mundo em mudança deixando-se perecer para renascer em novos moldes.

Adaptado de Lévi-Strauss, Claude. Anthropology: Its achievements and future. Current Anthropology 7, nº 3,1966, p.126.

II. Entre intelectuais indígenas, percebemos uma clara convergência de interesses em sua nova atitude para com o legado dos antropólogos. Autodefesa e autorrepresentação caminham juntas quando os índios se dão conta de que conhecimento é poder e que a escrita é uma poderosa tecnologia para acumular conhecimento. A pletora de livros escritos não poderia ser uma demonstração mais concreta da adoção da escrita por povos tidos como atados para sempre à oralidade. Por que, então, deixar a sabedoria de seu mundo unicamente em mãos forasteiras? Portanto, a antropologia não perecerá, apenas se tornará mais diversificada e atraente.

Adaptado de RAMOS, Alcida. Intelectuais indígenas abraçam a antropologia. Ela ainda será a mesma? Anuário antropológico, v.48, n.1,2023.

Com base nos trechos, assinale a opção que interpreta corretamente as perspectivas dos autores sobre os efeitos da autoetnografia para a Antropologia.
Leia o caso a seguir.

No município de Vila Velha (ES), uma construtora obteve autorização preliminar para construir edifícios residenciais em área central reconhecida por seu valor histórico e urbanístico, marcada por edificações do início do século XX e práticas culturais tradicionais. Foram identificados indícios de descaracterização da paisagem urbana sem estudos prévios de impacto sobre o patrimônio cultural. Em decorrência disso, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo instaurou procedimento para apuração dos fatos. Considerando a complexidade da questão, foi solicitado o apoio do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente, de Bens e Direitos de Valor Artístico, Estético, Histórico, Turístico, Paisagístico e Urbanístico (CAOA).

Considerando as atribuições institucionais do CAOA, assinale a opção que descreve corretamente sua atuação no caso.