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Uma das características centrais do trabalho da/o assistente
social é a condição de assalariamento que lhe é inerente.
Iamamoto (2009) recupera alguns tensionamentos advindos
desta constatação entre a afirmação e defesa do projeto
profissional e a condição de trabalhador/a assalariado/a,
afirmando: “Verifica-se, pois, uma tensão entre o trabalho
controlado e submetido ao poder do empregador, as
demandas dos sujeitos de direitos (...) Assim, o trabalho do
assistente social encontra-se sujeito a um conjunto de
determinantes externos, que fogem ao seu controle do
indivíduo e impõem limites, socialmente objetivos, à
consecução de um projeto profissional coletivo no cotidiano
do mercado de trabalho” (p.354). O contexto apresentado
reproduz reincidentemente no interior do cotidiano
profissional, a interpretação que há um “distanciamento entre
projeções e realidade, entre teoria e prática” (p.348). A autora
enfatiza duas questões a respeito dessa percepção:
Behring e Boschetti (2007), ao discorrerem sobre o projeto
ético-político do Serviço Social e política social, frente aos
desafios concretos dos limites dados pela estrutura econômica
capitalista, ressaltam que a viabilização estratégica desse
projeto passa pela necessária atitude de resgatar e exercitar ao
menos três perspectivas compostas por:
Barroco e Terra (2012) apontam que o despreparo teórico das/os
profissionais no cotidiano do trabalho pode reproduzir
manifestações de preconceito e discriminação, conforme
elucidam a partir de depoimentos de assistentes sociais: “O local
onde reside – área favelada – propicia o seu envolvimento com
pessoas perniciosas à sua formação moral (Batista, 2003, p.109).
Interno oriundo de lar ilegalmente constituído, tendo sido autuado
por práticas antissociais, ocorridas em consequência de ter-se
ligado a más companhias quando ia encontrar-se com o pai no
morro de São Carlos (Batista, 2003, p. 110)” (p.75). Esses
depoimentos resultam, segundo as autoras, dentre outros fatores,
Iamamoto e Carvalho (1985) explicitam o desenvolvimento do
trabalho profissional no campo da reprodução do controle e
da ideologia dominante nos marcos da produção e
reprodução das relações sociais capitalista. Afirmam que
“pode o profissional limitar-se a responder às demandas do
empregador, confirmando-lhe sua adesão, ou lançar-se no
esforço coletivo junto à categoria, aliada aos demais
profissionais e aos setores populares, de propor e efetivar uma
direção alternativa àquela proposta pelos setores dominantes
para a intervenção técnica” (p.122). Essas possibilidades
estão circunscritas na condição de trabalhador/a
assalariado/a que dispõe, portanto, de
Na definição sobre racismo, Eurico (2018) afirma que “(...) é
um fenômeno universal que, no caso do Brasil, incide
majoritariamente sobre a população negra e tem como uma
das formas mais eficazes de opressão a desqualificação de
tudo aquilo que remete a sua herança genética, cultural,
religiosa, a suas tradições e valores, quando estes colocam
em jogo a supremacia branca” (p. 520). Nessa acepção, a
autora reforça que a lógica de hierarquização de grupos
étnico-raciais é funcional aos interesses do capitalismo e
apreende a questão da branquitude como uma construção
sócio-histórica brasileira que identifica o “ser branco” como: